10 de julho de 2026
Geral

Vigilantes marcam casas: polêmica no Jardim América

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

Quem passa pelo Jardim América, em Bauru, depara-se com algo, no mínimo, inusitado, mas que tem preocupado moradores. Nas paredes e portões de grande parte das residências há adesivos coloridos colados. A marcação é feita por vigilantes noturnos nas casas que pagam pelo serviço. Moradores que não aderem à vigilância se sentem pressionados.

A reportagem visitou o bairro e verificou que a maior parte das casas tem o adesivo colado. Em uma quadra com 18 casas, apenas quatro não trazem a marcação.

E os adesivos são de várias cores, sendo que cada uma delas representa um grupo que faz a vigilância. “Pagamos o vigia para cuidar da rua. Ele marca a casa para saber qual paga pelo serviço e qual não paga”, explica um morador, de 67 anos, que preferiu não ter a identidade revelada, como os demais.

O fato começou a causar polêmica, uma vez que quem não paga pelo serviço começou a se sentir prejudicado com as marcações. Eles relatam que o fato de algumas casas serem marcadas e outras não aponta para os bandidos quais são “desprotegidas”.

“É uma palhaçada. Por exemplo, os meus dois vizinhos pagam pelo serviço e eu não. O vigia marca que as casas deles estão sendo vigiadas. O ladrão chega e sabe que a minha não está. Virei um alvo”, conta outro morador, de 32 anos.

A Polícia Militar (PM) não vê assim. Para o oficial de relações públicas do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), capitão Alan Terra, a marcação é semelhante a que é feita por empresas especializadas em segurança patrimonial.

“Essas empresas regularizadas possuem um distintivo. E elas colocam esse brasão em casas, empresas e carros para mostrar que há um serviço de segurança ali. Os vigilantes começaram a usar adesivos com o mesmo objetivo”, minimiza.

Questionado sobre a reclamação dos moradores de que aumentaria a insegurança em quem não adere ao serviço, o capitão não acredita nesse efeito colateral. “Vamos imaginar que tem uma casa com o adesivo e, ao lado, outra sem. O vigilante vai passar pela casa dos dois. Então, o efeito prático disso é praticamente nulo”.

A opinião da polícia, contudo, não é unânime no bairro. Até algumas pessoas que pagam pela vigilância não concordam com as marcações. “Acho que é uma espécie de pressão. Ou aceitamos e pagamos, ou ficamos mais frágeis do que já estamos”, argumenta uma mulher, de 64 anos.


Sem armas

Segundo a PM, a vigilância em bairros deve ser realizada sem a utilização de armas de fogo. “Via de regra, essas empresas ou os próprios vigias não têm qualquer autorização para usar arma de fogo. É muito importante que os moradores se atentem a isso”, explica o capitão Alan Terra.

Ele afirma ainda que os policiais são orientados a coibir essa prática. “Se a PM se deparar com algum vigia utilizando arma de fogo, a orientação é prender essa pessoa”, conclui.