Como é comum acontecer na história da Ciência, houve alguém que, por curiosidade, se interessou pelo problema de crianças que viviam em regiões com climas pouco ensolarados e acabavam desenvolvendo sinais e sintomas de raquitismo, como pernas tortas e muita fragilidade óssea. Os pesquisadores americanos Elmer McCollum e Marguerite Davis, em 1913, perceberam que, curiosamente, as pessoas mais pobres daquelas localidades sombrias eram as que não desenvolviam a doença. Pesquisando melhor a situação, descobriram que, por pertencerem às classes mais baixas, essas crianças e suas famílias acabavam se alimentando das partes dos peixes pescados que ninguém mais queria, ou seja: o fígado. Pronto! Estava descoberto o poder preventivo e curativo do famoso óleo de fígado de bacalhau, do qual se extraiu, muito tempo depois, a vitamina que se tornaria conhecida como Vitamina D: um grande remédio no combate ao raquitismo e um poderoso calcificante.
Naquela época, os pesquisadores notaram que, com essa dieta e a exposição ao Sol, diminuía a incidência do raquitismo em crianças. Apesar do nome "vitamina", a vitamina D vem sendo considerada um hormônio, que pode ser encontrado sob duas formas: vitamina D2 de origem vegetal, e vitamina D3 produzida na pele, que depois de produzida é metabolizada no fígado e nos rins passa a funcionar em sua forma ativa.
Com o passar dos anos, a ciência descobriu que a principal fonte da vitamina D é a pele humana, através da ação do sol e não apenas o consumo dos alimentos com vitamina D. Assim, se não houver exposição solar de, pelo menos 15 minutos diários, sem o uso do protetor solar, nos horários considerados adequados, a vitamina D não é produzida e a quantidade que ingerimos na alimentação não chega a ser suficiente para produzir os diversos efeitos esperados. Por esse motivo a vitamina D é chamada de vitamina do sol!
São inúmeros os benefícios que a vitamina D pode oferecer ao nosso corpo, dos pés a cabeça.
No cérebro, ela atua na renovação dos neurônios, auxiliando pessoas com Parkinson e outras doenças degenerativas. Na pele, a vitamina D tem mostrado que pessoas com psoríase e vitiligo tiveram melhora clinica após a sua reposição. No coração, ela participa do fundamental controle das contrações do músculo cardíaco. Nos rins, ela inibe a ação de um hormônio que eleva a pressão. Diante do diabetes, ela estimula a produção de insulina. Além do mais, a vitamina D fortalece todo o sistema imunológico, ajudando a prevenir doenças tais como gripe, pneumonia e tuberculose. E, finalmente, quanto ao tão temido câncer, ela ajuda a prevenir alguns tipos e também esta envolvida na morte das células defeituosas.
Os alimentos que são considerados fontes de vitamina D são: peixes (sardinha, salmão, arenque); ostras; óleo de fígado de bacalhau; fígado; ovos; leite e seus derivados; e cereais. Muitas vezes, por não possuirmos abundância de fontes alimentares naturais ou fortificadas de vitamina D, pode ser necessária a suplementação farmacológica deste alimento, principalmente em bebês e quando não há a adequada exposição à luz solar.
A falta de vitamina D pode causar raquitismo, osteoporose nos adultos, insônia, nervosismo excessivo, diarreia, cáries dentarias, problemas na gengiva e na pele. Por outro lado, o seu excesso também pode prejudicar o organismo causando calcificação óssea excessiva, cálculos renais, calcificação metastática de partes moles (rins e pulmões), cefaleia, fraqueza, vômitos e constipação. Outra novidade que esta relacionada com a vitamina D, é que ela pode ajudar a emagrecer e a controlar o diabetes, tornando-se uma grande aliada do coração.
Comprovadamente, a vitamina D influencia as principais funções biológicas vitais para a saúde e o bem-estar, por isso é necessário que ela não seja mais ignorada pela indústria terapêutica, nem pelo ser humano que se esforça para alcançar e manter a melhor qualidade de vida possível. Com tantas qualidades, nos dias atuais, a vitamina D tornou-se a mais nova queridinha dos médicos e o sol, seu maior aliado.
A autora, Eliane Arena, é nutricionista e farmacêutica