09 de julho de 2026
Geral

Estratégia agiliza controle da dengue

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Diante dos 211 casos de dengue registrados em Bauru neste ano, a Secretaria Municipal de Saúde mudou de estratégia para conter a epidemia da doença. A partir de agora, casos suspeitos também serão notificados e encaminhados ao Departamento de Saúde Coletiva para que ações sejam definidas antes mesmo da confirmação das infecções.

Com a bandeira da antecipação, o objetivo é evitar que o planejamento seja formulado a partir de um “olhar pelo retrovisor’’, de acordo com expressão utilizada pelo diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag.

Em uma reunião realizada na última segunda-feira, ficou estabelecido que constará na lista de suspeitos qualquer pessoa que apresentar três sintomas da dengue. Os mais comuns são febre alta, dor de cabeça, dores fortes nos olhos, na musculatura, nas juntas, podendo surgir manchas avermelhadas na pele. A notificação, inclusive, independerá de avaliação médica. Poderá será feita pela enfermeira de triagem, em qualquer unidade de saúde de Bauru.

Antes da nova decisão, era o médico quem notificava a partir de exame de sorologia para dengue, cujo resultado leva cerca de 48 horas para sair. Atualmente, diante da suspeita de contaminação pelo vírus, o exame sorológico será feito como um hemograma. “Em 12 horas sai o resultado (do hemograma). Se houver diminuição de leucócitos e plaquetas, é alta a probabilidade para a dengue”, explica o diretor do DUE.

Diante da estratégia, a expectativa de Sabbag que é o número de casos em 2013 não ultrapasse os 1.500 durante todo o ano, número muito inferior ao registrado em 2011, quando 4.364 pessoas contraíram a doença. Sabe-se que o tamanho da epidemia, normalmente, é 50% superior ao registrado oficialmente.

Segundo apurou o JC, alguns profissionais da rede básica de saúde consideraram o pacote de medidas para conter a dengue “alarmista”.


Transmissão migra; Saúde fecha cerco

Em 2011, ano em que Bauru registrou a maior incidência de dengue da história (4.364 casos), as regiões mais afetadas foram o Jardim Bela Vista, Parque Jaraguá e Mary Dota, por exemplo. Na ocasião, as vítimas eram afetadas pelos vírus tipos 1 e 2. Agora, dois anos depois, o vilão é novamente o vírus 1. No entanto, como quem já contraiu a doença por determinado tipo de vírus fica imune a ela, a concentração de doentes migrou. Atualmente, a região mais afetada é a Vila Independência e imediações do Alto da Vila Ipiranga. “Tem havido um deslocamento. A ideia agora é tentar cercar”, explica Sabbag.

Com a intenção de controlar a doença, pessoas com suspeita de dengue receberão atestado médico para dois dias. Se a dengue for oficialmente confirmada, o paciente é orientado a permanecer mais cinco dias em casa. Neste ano, Bauru totaliza 207 casos de dengue autóctones e quatro importados.  


De neto para avô

A família do cabelereiro Ronaldo Almeida, neste ano, teve o desprazer de ter, pela primeira vez, contato com a dengue. O primeiro a apresentar os sintomas foi seu sogro, Valdir Zonta, 65 anos. Na sequência, quem passou mal foi seu filho de 12 anos, Natan Henrique de Almeida. Com febre alta e dores no corpo, foi ao Pronto-Atendimento Infantil, no domingo passado. Todos moram no Jardim Ouro Verde.

Na ocasião, segundo Ronaldo, a orientação foi esperar a evolução do quadro, pois ainda era o primeiro dia de temperatura alta. Além disso, o médico também diagnosticou leve problema na garganta do menino, que poderia resultar em febre.

Como a febre não cessou, Ronaldo decidiu levá-lo ao pediatra particular, para quem Natan tinha 99% de chance de ter sido picado por um mosquito Aedes contaminado. O exame particular confirmou. Após passar dias de cama, Natan agora está bem e já está dando força ao avô, ainda combalido com a dengue.