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João Rosan |
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Esgoto da pia e dos ralos dos banheiros térreos estavam indo direto ao solo |
Os serviços de recuperação da estrutura do prédio da Câmara Municipal estão mostrando que os problemas são muito maiores do que os já conhecidos. A empresa contratada para a execução da obra, Isamix Trading Ltda, avisou ontem ao presidente do Legislativo, Sandro Bussola (PT), que parte do esgoto dos banheiros do piso térreo vinha sendo jogado diretamente no solo, sob o imóvel.
O engenheiro da empresa, André Luiz Vieira da Silva, afirma que as obras de recuperação da estrutura, contratadas no final do ano passado, não podem continuar sem que este problema seja resolvido. “Seria um trabalho em vão porque as infiltrações persistiriam”, explicou.
O prédio da Câmara está cedendo, com erosões, rachaduras e fissuras, detectadas, no ano passado, pela empresa MS Engenharia e Tecnologia, contratada para elaborar o projeto que, agora, está sendo executado. “Essa deterioração foi causada por diversos problemas no solo, mas é possível dizer que o esgoto no solo possa ter agravado esse problema”, afirmou Silva.
Não é possível, segundo o engenheiro, precisar desde quando este problema existe diante dos mais de 80 anos do prédio. No entanto, o profissional estranha o fato de as ligações do vaso sanitário e dos mictórios serem independentes das demais. “Elas são mais modernas, já em PVC. Esse esgoto não ia para o solo. O que vinha sendo jogado era o esgoto da pia e dos ralos”, pontuou.
A ligação da pia e dos ralos era a uma manilha, antiga tubulação de cerâmica. “No entanto, ela está mais do que rompida. Praticamente não existe mais e faz com que vá tudo direto para o solo”.
Segundo o engenheiro, é comum que imóveis antigos sofram esse problema. Incomum foi a reforma parcial da tubulação do banheiro. “Quando reformam, aproveitam para fazer tudo. Não tinha porque esquecer dos lavatórios e dos ralos”.
De acordo com André, não é possível mapear a rede hidráulica do prédio. “A gente sabe o que tem quando mexe. Ninguém sabia disso. Começamos pelo banheiro masculino do piso térreo por ser a área mais problemática. Tiramos o piso e identificamos”, relatou.
Faz tempo
De acordo com informações da Câmara Municipal, as últimas reformas foram feitas no prédio aconteceram em 1988 e em 2001, ambas em gestões do finado ex-vereador Walter Costa. Na última delas, o piso dos banheiros foi trocado.
Banheiros estão interditados
A reportagem do JC esteve na Câmara Municipal e constatou, junto ao presidente Sandro Bussola, que os banheiros térreos foram interditados na tarde de ontem. “Fui pego de surpresa com essa notícia. Não era algo que eu esperasse”, admitiu.
O petista afirmou que ainda hoje deve buscar a solução para as ligações do esgoto do banheiro para que a obra em torno das estruturas possa ter andamento. Sandro, porém, admite que se preocupa com a rede hidráulica do imóvel como um todo, inclusive com possíveis manilhas de águas pluviais que passariam sob o prédio, causando efeitos danosos.
O presidente afirmou que conta com o amparo do Departamento de Água e Esgoto (DAE) para solucionar o problema. “De imediato, não deve ser algo que custe caro, mas é reparar o sistema hidráulico e fazer as interligações necessárias são ações urgentes”, pontuou.
As preocupações de Bussola não param por aí. Ele lembra que o imóvel não tem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) e uma brigada de incêndio deverá ser formada por funcionários.
Além disso, há a discussão incitada no início deste ano acerca da possível mudança de endereço do Legislativo. “Para discutir isso, vamos convocar, na semana que vem, uma audiência pública. Não posso decidir sozinho”.
Estrutural
O contrato da Câmara Municipal com a empresa Isamix Trading, sediada em Mauá, com filial no município de Lençóis Paulista, visa recuperar as estruturas já comprometidas, com o conserto das rachaduras, além de impedir que o processo de afundamento do prédio continue. Para isso, serão batidas 10 estacas nos cantos do imóvel. O serviço vai custar R$ 175.563,00 e a empresa terá quatro meses para executá-lo.
Antes de licitar a execução da obra, o Legislativo contratou empresa de engenharia para elaborar relatório apontando as intervenções necessárias para a recuperação estrutural do prédio. Foram R$ 67.500,00 pagos à M.S. Tecnologia e Consultoria.
O laudo, de junho de 2012, apontou que o coeficiente de segurança proporcionado pela obra original era muito pequeno e se tornou nulo em razão das infiltrações ocasionadas por água pluviais. As rachaduras são visíveis desde a sala da presidência até as paredes externas da Câmara Municipal de Bauru.