A interdição do Hotel Milanez, nesta semana, escancarou uma série de irregularidades sobre o precário estado de conservação do local e o uso que se fazia dele. A última delas foi revelada ontem pela regional da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo (Drads), com exclusividade ao Jornal da Cidade.
De acordo com a pasta, a Secretaria Municipal do Bem Estar Social (Sebes) não tinha autorização para utilizar recursos do governo paulista para custear aluguel em qualquer hotel da cidade. Na última quarta-feira, a titular da Sebes, Darlene Tendolo, afirmou que algumas pessoas desabrigadas vinham sendo encaminhadas ao Milanez por meio do uso de verbas repassadas pelo Estado.
O dinheiro seria destinado ao município e gerenciado pela Casa do Garoto, entidade conveniada com a Sebes para atender apenas crianças de 6 a 12 anos. Se o desabrigado não se adequasse às regras de nenhuma instituição, optava-se pelo aluguel em hotéis da cidade.
Ao Milanez, pagava-se entre R$ 250,00 e R$ 300,00 mensais por cada quarto. “Ou este recurso era do município e informaram erroneamente a imprensa ou houve uso indevido do recurso do Estado, que não pode ser utilizado para este fim”, destaca a diretora técnica regional da Drads em Bauru, Maria Perroni.
Ela explica que o Estado cofinancia uma série de ações descritas pelo Plano Municipal de Assistência Social, entre elas o abrigamento em entidades conveniadas, que está incluído nos serviços de proteção especial de média e alta complexidades. “Já o aluguel social é considerado benefício eventual, que serve para atender pessoas despejadas ou desabrigadas depois de uma enchente, por exemplo. E este serviço deve ser mantido exclusivamente pelo município”, pontua.
Por não apresentar condições de habitação, o Hotel Milanez foi interditado pela Defesa Civil na última quarta-feira.