Prova de que as associações estão voltando a se organizar são os 15 cadastros já feitos e documentados na Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear), segundo Roselaine de Brito, secretária interina da pasta. “Outras estão em processo de regularização. Montamos cartilhas, fizemos reuniões... Entretanto, ainda há grupos que resistem”.
Ela garante que sair da clandestinidade é um passo fundamental para que as associações possam participar de projetos ou consigam receber investimentos do poder público e/ou da iniciativa privada. E uma das prioridades da Sear é justamente regularizar para reativar essas organizações do município.
“O foco foi desviado, mas está voltando aos poucos. As pessoas precisam acreditar no poder de representatividade que um grupo organizado tem. Não que um cidadão sozinho não tenha voz, mas uma solicitação feita em nome de uma associação representa o pedido de um bairro todo”, defende Darianne Silva, diretora de departamento da Sear.
Outra iniciativa da prefeitura para reavivar as ações dessas entidades é a busca por parcerias, como empresas privadas e universidades, para continuar os projetos de ação e cidadania, entre outros que possam amenizar as dificuldades dos bairros.
Independência
Darianne lembra que uma associação precisa ser independente e que bons frutos estão atrelados à força de trabalho dos líderes, que precisam conhecer bem o bairro e suas necessidades.
Normalmente, os líderes das associações são pessoas engajadas em políticas sociais e, por isso, escolhidas pela comunidade para ocupar o cargo. Em Bauru, uma peculiaridade é a liderança feminina, maioria presente nas entidades já cadastradas na Sear.
“O prefeito Rodrigo Agostinho é totalmente a favor desse resgate, mas e se o próximo não for? As associações se perderão novamente? Por isso destacamos a importância da independência dessas estruturas sociais”.
‘Conquistas que valem ouro’
“Uma associação atua como um órgão fiscalizador. O presidente ouve as reclamações, checa as necessidades e as leva até a prefeitura e, na medida do possível, conseguimos melhorias, sim”, conta Olivia Arantes de Souza, presidente da Associação de Moradores do Núcleo Residencial Presidente Geisel.
Uma iluminação melhorada aqui, um asfalto recapeado ali, buracos tapados, galhos retirados das vias públicas, rede de esgoto instalada, água encanada e até uma base da Polícia Militar (PM). Pequenas ou grandes, as vitórias conquistadas pelas associações de moradores fazem toda a diferença para a comunidade em que estão inseridas.
“Mas as batalhas são árduas, nosso trabalho não é fácil. Tudo começa com reuniões e trabalho de conscientização. Há cerca de quatro anos conseguimos que a Base Norte da PM fosse instalada em nossa região. Estávamos muito carentes de segurança”, relata Lourdes Martinele, presidente da Associação de Moradores do Jardim Godoy.
Agora, a batalha é pela instalação de um sinaleiro no cruzamento da Avenida Moussa Tobias com a Alameda Flor do Amor, lugar comum de atropelamentos, conforme conta Lourdes. Ela lembra que os moradores ouviram uma promessa política e estão aguardando desde setembro de 2012. “Instalaram um poste no lugar, mas o sinaleiro ainda não”.
‘Registro gera credibilidade’
A presidente da Associação dos Amigos do Ferradura Mirim, Gisele Moretti, participa há 16 anos das lutas por melhorias em sua comunidade. Independente da liderança, ela acredita que todas as conquistas do lugar são resultados das batalhas da comunidade.
E apesar do longo caminho que o Ferradura ainda precisa trilhar, a melhoria já é evidente. No lugar do torneirão coletivo, agora a água chega até os moradores, assim como a energia elétrica e o ônibus circular. “Muitas ruas já receberam asfalto e 60 moradias do projeto Minha Casa, Minha Vida estão sendo preparadas para receber famílias que vivem em barracos”.
Gisele ressalta, ainda, que ter uma associação registrada gera mais credibilidade para conseguir ajuda. “Sempre digo isso para os amigos de outras associações. Eu vejo que as pessoas estão se interessando mais pelas questões sociais, estão mais conscientes. E é pelo alicerce que construímos uma casa”.