Venho pedir socorro em nome de mães que como eu, com filhos longe da escola, precisa "se virar" e driblar horário de trabalho, passagens de ônibus absurdas, chuva, sol ardente e distância, para levar nossos pequenos até as escolas. Sabemos que existe um transporte público escolar, porém, não é para todos. Eu morava até ontem num endereço no Joaquim Guilherme, onde o ônibus escolar para e pega as crianças na rua debaixo. Fui até a escola Professor José Viranda, onde meu filho de 8 anos estuda no 3° ano, pedir a inclusão para o transporte, pois todos os dias tenho que sair do serviço para buscá-lo e deixá-lo na escola, volto para o serviço e às 17h saio novamente para buscá-lo e trazer para meu serviço, coisa que poucas mães podem fazer. Além de enfrentar chuvas e ruas alagadas pela chuva e areias que descem das ruas de terra, colocando em risco a vida de meu filho, pois faço todo o trajeto de moto.
Porém, fui informada pela escola que minha rua não era atendida! Expliquei que minha vizinha e mais uma criança na mesmo rua utilizam o ônibus e que é um absurdo não atender uma criança de 8 anos que mora uma rua acima (ainda mais longe da escola). Elas então ficaram de "tentar" a solicitação, porém, dias depois aluguei outra casa no rua: Tohite Sawao, Vila Nipônica próximo à Castelo Branco, então fui novamente à escola pedir inclusão de meu filho, pois o ônibus para na esquina de casa. Recebi a informação de que o ônibus não poderia atender e que a escola não pode fazer nada, pois seguem regras! Indignada, tentei fazer com que elas me entendessem e que ao menos solicitassem a inclusão dele, pois eu mesma entraria em contato com os outros órgãos. A atendente da escola então me disse que meu filho nem tem direito, pois o ônibus não é adaptado para crianças menores de 11 anos.
Ou seja, um adolescente de 13 anos tem direito de ir seguro para a escola, uma criança de 6 a 10 anos não tem, fiquei ainda mais revoltada e uma outra mãe também pois não conseguia incluir sua filha e qualquer um sabe que levar uma criança numa moto é muito, mais perigoso além das mudanças frequentes de tempo e temperatura. Liguei na Oswaldo Brambila (empresa contratada para o transporte) e fui informada que eles apenas seguem as rotas enviadas pela Secretaria da Educação.
Liguei na mesma e falei com Vanda, expliquei toda a situação, está me informou que "a escola" está passando informações erradas e estranhou o fato de a escola mandar listas com crianças apenas do 5°ano acima, e disse que o dever deles é pedir a inclusão, o restante é a "Diretoria de ensino/transporte escolar" que analisa. Liguei então neste setor, onde fui muito mal atendida por uma moça. Segundo ela, a escola deve seguir a planilha e meu filho realmente não tem direito ao transporte, pois o ônibus que passa próximo a minha casa a para crianças com certa deficiência e ponto. No dia seguinte, ao levar meu filho, encontrei com o ônibus cruzando a Castelo Branco, que acabara de passar na esquina de casa, por coincidência o segui, pois fomos na mesma direção. Ao parar em frente a escola, pedi informações à monitora e ao motorista (do ônibus 0538/placa BRNO6856), que não quiseram falar muito e não ajudaram com as informações, e me revoltei mais ainda ao ver adolescentes maiores que eu, todos saudáveis e fortes (graças a Deus) entrarem no ônibus, enquanto meu filho tomava chuva e ainda havia mães no ponto de ônibus e várias vans particulares em frente a escola.
Ou seja, um adolescente pode andar sozinho e de madrugada na rua, mas não pode ir para a escola!? Acho importante o incentivo, porém não podemos esquecer que nem toda mãe, assim como eu, tem tempo disponível e dinheiro para pagar vans e ônibus. Neste momento, 12h, estou saindo em horário de almoço, vou fazer todo o trajeto. Chove e a temperatura está a 21°C, isto porque sabemos que em cima de uma moto e debaixo de chuva a sensação térmica é bem pior! Além das ruas com maior perigo, pois o asfalto está molhado, e poucos motoristas respeitam motoqueiros. Fica um grito de socorro por meu filho e todas as mães que precisam de ajuda, como eu!
Daiana Rovel