08 de julho de 2026
Regional

Bocaina tem depósito irregular de lixo

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Bocaina – O ex-vereador e presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Artefatos e Curtimento de Couro da Região de Bocaina (69 quilômetros de Bauru), Gisberto Marcos Antunes, denunciou descarte supostamente irregular de lixo doméstico, pela prefeitura, em uma área na zona rural do município. Segundo ele, o local pertence ao Estado e aguarda autorização para ser utilizado. A prefeitura alega que o depósito dos dejetos está sendo feito conforme a lei.

O terreno que estaria recebendo o lixo de maneira irregular fica às margens da vicinal Alfredo Sormani Junior, que liga Bocaina a Bariri, nas proximidades da usina de compostagem, que está desativada desde o final do ano passado. Fotos tiradas anteontem e encaminhadas ao JC mostram grande quantidade de dejetos depositados numa vala, parte deles sem o devido aterramento. O descarte estaria ocorrendo desde o início de janeiro.

Segundo o ex-vereador, que pretende denunciar o caso ao Ministério Público (MP), o contrato que o município mantinha com empresa terceirizada para compostagem e depósito de lixo doméstico na área venceu e não foi renovado. “A usina está instalada em uma área que pertence ao Estado e o Estado deu concessão de uso ao município para fazer a triagem de lixo e também o aterro”, explica. “Só que a área que o Estado cedeu já ficou pequena”.

No final do ano passado, de acordo com Antunes, o Executivo encaminhou projeto ao Estado pedindo doação de nova área, ao lado da anterior, para que o depósito de lixo continuasse sendo realizado. “Eles abriram a vala, deixaram a vala aberta e enviaram projeto para São Paulo para ser aprovado”, conta. Segundo ele, até o momento, não houve nenhuma resposta.“Só que o (José Carlos) Soave entrou em janeiro e começaram a jogar o lixo nessa vala”, diz.


Prefeitura nega depósito irregular

O diretor de Desenvolvimento Econômico de Bocaina, Wilson Aparecido Ruis, nega que o depósito de lixo doméstico esteja sendo feito em local irregular e sem aterramento. Segundo ele, a área doada pelo Estado tem 35 alqueires. “Dentro desses 35 alqueires, tem uma área que foi determinada pela Cetesb e pelo governo do Estado e doada para a instalação da usina de compostagem de lixo e abertura de valas”, revela. “Nós estamos no espaço determinado pela Cetesb”.

Ruis explica que o governo anterior realizou licitação para contratar empresa de Campinas responsável pela operação da usina de compostagem ao custo de R$ 40 mil por mês. “O valor é muito alto para a prefeitura e a gente já se reuniu com o pessoal que venceu a licitação e pediu amigavelmente uma rescisão de contrato porque a gente não tem condições de fazer o pagamento do que foi licitado pelo governo anterior”, declara.

Hoje, segundo o diretor, o Executivo irá se reunir com representantes da Cetesb para discutir a questão da destinação do lixo na cidade. Além disso, o município está realizando levantamento para saber o volume de lixo doméstico recolhido por dia e estudos para a implantação do sistema de coleta seletiva em Bocaina. Com os dados em mãos, de acordo com Ruis, a prefeitura irá decidir se é mais vantajoso operar a usina de compostagem ou terceirizar o serviço.

A reportagem entrou em contato com a Cetesb, mas o órgão informou que iria levantar as informações e se pronunciar apenas hoje.