08 de julho de 2026
Bairros

Idosa morre após sofrer agressão

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Aceituno Jr.

Apesar de negar agressão, Paulo Haase, 51 anos, foi preso ontem e encaminhado para Avaí

A viúva Carmen Gomes Haase, 76 anos, morava sozinha no Parque União. No sábado, foi visitada por uma neta, que percebeu sinais de um acidente vascular cerebral (AVC) na idosa. Não era. De acordo com os médicos, ela foi brutalmente espancada. Carmen foi internada, mas não resistiu aos ferimentos e morreu ontem. O pior é que o principal suspeito de ter agredido a idosa é seu próprio filho, Paulo César Gomes Haase, 51 anos, que já está preso.

O espancamento teria ocorrido na quadra 2 da avenida Jurandyr Bueno, onde a vítima morava. Sua neta foi até o local e a chamou várias vezes. Com muita insistência, Carmen saiu ao portão cambaleando e bastante confusa.

Inicialmente, a mulher, de 31 anos, achou que a avó era vítima de um derrame. Logo, o espancamento foi percebido. A neta insistiu que ela revelasse quem foi o autor da agressão e acabou descobrindo o pior: tratava-se do seu próprio pai.

“O inquérito foi instaurado por homicídio doloso”,

aponta a delegada titular da DDM Priscila Alferes

Segundo a delegada Priscila Alferes, titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), a mulher contou que a avó revelou o nome de Paulo Haase. A idosa ainda teria pedido para a neta não comentar com ninguém, pois temia que “ele a matasse também”.

Carmen Haase foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e internada no Hospital de Base (HB). Ainda no sábado, a família optou por transferi-la para um hospital particular em Borborema, onde mora a maior parte dos familiares. Após cinco dias hospitalizada, ela morreu ontem.

Já no sábado, a neta da vítima registrou o boletim de ocorrência (BO) no Plantão da Polícia Civil por lesão corporal. Naquela data, ela declarava que o autor seria seu pai, Paulo Haase.

“Outro filho da Carmen veio aqui (na DDM) e me disse a mesma coisa. Estava desesperado dizendo que sua mãe tinha sido espancada e o autor era seu próprio irmão”, conta a delegada Priscila Alferes.

Carmen Haase, 76 anos, foi socorrida com extensas lesões pelo corpo

Ontem, o corpo de Carmen Haase foi conduzido ao Instituto Médico Legal (IML) de Jaboticabal. Um laudo apontará a causa da morte, porém, de acordo com a titular da DDM, o médico já indicou um agravamento das lesões sofridas. Fotografias feitas pela família mostram extensos hematomas pelo corpo.

Após a comunicação da morte da idosa, o eletricista Paulo Haase foi detido em sua residência, localizada a cerca de três quadras de onde morava a vítima. O homem já tem passagens pela polícia, contudo, o crime ao qual responde não foi revelado.


Motivo

Paulo Haase seria uma pessoa agressiva. Pelo menos é o que vizinhos contaram para a delegada Priscila Alferes. Os familiares confirmaram que ele era usuário de drogas, o que, de acordo com as investigações, pode ter sido o motivo da agressão. “Segundo a família, eles brigavam por causa de drogas. Ele queria dinheiro e ela não dava”.

Apesar de Paulo negar as agressões (leia mais abaixo), o juiz decretou sua prisão temporária por cinco dias. “O inquérito foi instaurado por homicídio doloso, ou seja, aquele que há intenção de matar”, complementa a titular da DDM.

Ainda na noite de ontem, Paulo Haase foi conduzido para a Cadeia Pública de Avaí. Abalados, familiares não quiseram conversar com a reportagem. Já o corpo de Carmen Haase foi sepultado ontem em Borborema.


Dúvida

Apesar de Carmen Haase ter sido localizada por volta das 15h de sábado por sua neta, ainda não se sabe se as agressões ocorreram nesse dia. É o que aponta o próprio BO feito inicialmente para comunicar a lesão corporal.

No registro, a neta da vítima aponta que as agressões podem ter ocorrido entre quinta-feira e sábado, em hora incerta.


‘Não agredi minha mãe’, diz filho

Na saída da DDM, o eletricista Paulo César Gomes Haase, 51 anos, negou todas as acusações. “Eu não a agredi. E vou provar minha inocência. No sábado, eu estava trabalhando e tenho testemunhas disso”, declarou, de cabeça erguida.

Ele chegou a dizer que faz muito tempo que não ia à casa de sua mãe. “Eu não passo a mais de uma quadra de lá há um ano. A última vez que fui lá foi no dia 25 de janeiro de 2012”.

Apesar de afirmar isso, disse, logo em seguida, que só teve uma briga verbal com Carmen. Questionado na contradição sobre ter ido lá ou não, ele recuou. “Essa discussão verbal foi há bastante tempo”.

Antes de ser encaminhado para a cadeia, Paulo disse que a desavença com Carmen ocorreu porque ela falou algo sobre a filha do eletricista, exatamente a neta que a encontrou no fim de semana. Ele, porém, não explicou o que seria.