10 de julho de 2026
Política

?Rede? de Marina Silva vai ter encontro em Bauru, em março

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Acontece hoje, em Brasília, um grande evento político que dará início à criação de um novo partido político, liderado pela ex-senadora Marina Silva, inicialmente chamado de “Nova Política”. Após sair do PT, a acreana se candidatou, pelo PV, à Presidência da República, em 2010, quando recebeu 19,6 milhões de votos, tendo sido responsável pela viabilização do segundo turno das eleições entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Agora, de olho na disputa de 2014, ela deve aprovar um manifesto político que dará origem à nova sigla. Em Bauru, as articulações para o nascimento da legenda já começaram e um encontro regional vai acontecer no dia 1º de março.

Ex-presidente do PSB no município, o fotógrafo Pedro Romualdo tem sido o principal interlocutor do futuro novo partido na cidade. Em janeiro, ele participou de encontro promovido por Marina na cidade de São Paulo.

Chamado por enquanto de Rede, por ter sido mobilizado, majoritariamente, pela internet, o movimento tem conquistado a adesão de nomes advindos de diversas siglas partidárias, como Walter Feldman (PSDB), Fábio Feldman (PSDB), Heloísa Helena (ex-PSOL), Cristovam Buarque (PDT) e, até mesmo, Eduardo Suplicy (PT), de acordo com informações publicadas no Portal Vermelho.

O discurso é parecido com o que comoveu parcela da classe média e boa parte da juventude no pleito de 2010, assentado na ecologia e no desenvolvimento sustentável, abrindo espaço também para questões sociais. Nos últimos dias, chamou atenção ainda a informação veiculada por Marina de que sua ‘rede’ limitará as doações de empresas a campanhas eleitorais e também, em 16 anos, o tempo máximo de mandatos parlamentares de seus filiados. Outras regras deverão ser discutidas no encontro de hoje.


Por aqui

Pedro Romualdo conta que foi convidado por um grupo que participa do movimento pró-Marina, formado, essencialmente, por sindicalistas, ambientalistas e estudantes. O encontro regional deve acontecer no dia 1º de março, mas ainda será confirmado e divulgado. “Tudo começou pela internet. São pessoas que estão em busca de práticas diferentes do tradicionalismo dos partidos políticos atuais”, explica Romualdo.

Ele adverte, porém, que a formação de um partido político na cidade não é um processo fácil. “Tudo precisa ser muito bem discutido. Muitos queriam, aliás, que essa rede mantivesse a característica de movimento. Mas, para se chegar ao poder, é preciso oficializar a legenda”, pontua.


De longe

Presidente municipal do PV e candidato à prefeitura derrotado no último pleito, Clodoaldo Gazzetta, próximo de Marina Silva por conta da bandeira ambiental, diz que acompanha o processo do novo partido à distância. “Tenho lido a respeito e recebi alguns contatos no início das mobilizações. Mas não tenho interesse de sair do PV, que é a minha casa há muitos anos”.

Apesar disso, o verde defendeu a criação da nova legenda. “Ela tem um grupo consolidado. Um partido que tem como base a bandeira da sustentabilidade, com certeza, vai enriquecer o debate político”, avalia Gazzetta.


Nem tão longe

Presidente do PSB bauruense, o vereador Paulo Eduardo de Souza (PSB) participou do encontro promovido por Marina Silva, em São Paulo, no começo deste ano. Surgiram especulações de que o médico poderia migrar para a nova legenda, o que ele nega. “Fui visitar a convite e avisei o diretório estadual do meu partido”, enfatizou.

O socialista, porém, admitiu ao JC que “gostou do que viu” no evento. Segundo Paulo Souza, a proposta de Marina transcende a lógica maniqueísta da política, traduzida no embate entre situação e oposição. “Ela defende a prática política mais cosmopolita e inspira credibilidade”, finalizou.