08 de julho de 2026
Política

PSDB de Bauru pode ter eleição direta

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

A reunião do PSDB de Bauru, realizada na manhã de ontem, anunciou os nomes de cinco presidenciáveis para o comando local do partido, que será definido em convenção municipal, marcada para o dia 17 de março. A novidade é que, pela primeira vez na história da legenda, o presidente poderá ser eleito pelo voto direto de todos os filiados tucanos.


A proposta foi lançada pelo deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que preside o partido no Estado de São Paulo. Quatro dos cinco tucanos que poderão estar na disputa foram adiantados pela edição de ontem do Jornal da Cidade: os vereadores Fernando Mantovani e Arildo Lima Junior, Gilson Rodrigues e Carlos Ladeira.


A novidade ficou por conta do ex-vereador Veríssimo Barbeiro. Ele, porém, foi o que demonstrou menos empolgação em seu discurso, deixando claro que estava apenas colocando seu nome à disposição.


No mais, cada um dos candidatos teve cinco minutos para fazer sua avaliação pessoal sobre o futuro do trabalho e expor os motivos pelos quais desejam assumir a presidência do PSDB local.


Gerente regional da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), Ladeira afirmou que a disputa está estimulando bom debate interno e disse ser candidato pelo “bem da democracia”.


Já Arildo destacou, em seu discurso, que, mais importante do que o nome para presidir o PSDB de Bauru, é a construção de uma proposta consistente para a cidade de Bauru, com foco na disputa eleitoral de 2014.


Em 2012, os tucanos tiveram fraco desempenho na cidade. Pela primeira vez nas últimas eleições, o partido não lançou candidatura própria à Prefeitura de Bauru, cabendo a Gilson Rodrigues o posto de vice na chapa de Chiara Ranieri (DEM).


A coligação, articulada pelo atual presidente e então vereador Marcelo Borges, foi duramente criticada por lideranças como o empresário Caio Coube. No encontro de ontem, porém, nenhum dos dois esteve presente.



Primeira vez


Mantovani vem sendo apontado como o candidato preferido pelo grupo de Caio Coube. No entanto, o parlamentar ainda não havia manifestado publicamente seu desejo de comandar o partido, principalmente pela escassez de tempo, já dividido entre o mandato de vereador e suas atividades profissionais.

Na reunião de ontem, ele afirmou ter identidade com a sigla e disse que acredita ter o perfil para alcançar a tão propaganda renovação, desejada nos últimos anos pelos tucanos, inclusive por sua juventude.


Outro grupo


Já Gilson Rodrigues é o nome apoiado pelo grupo de Marcelo Borges. A principal justificativa para sua candidatura seria o papel de destaque que desempenhou na última campanha, como vice de Chiara Ranieri. O próprio tucano admitiu que sua candidatura é mais motivada pela “ideia” de um grupo do que por sua própria vontade. “O PSDB precisa deixar de ser coadjuvante”, pontuou.

 

Acordo pode superar estatuto tucano

Apesar da vontade de Pedro Tobias em promover a eleição direta para presidente do PSDB, o estatuto nacional prevê que o cargo seja resolvido entre os membros do diretório eleito. O líder tucano, porém, acredita que um acordo entre as partes interessadas pode se sobrepor às regras partidárias. “Eu quero que isso aconteça em todos os lugares e Bauru pode ser pioneira”, pontuou.


O presidente estadual disse ter ficado feliz com o grande número de presidenciáveis. “Se tem uma coisa que me mata é acordo de cúpula. Enquanto isso, o povo fica esperança o sinal de fumaça, como se estivéssemos escolhendo o papa”, brincou.


A ideia de Tobias é que o próprio presidente eleito monte seu diretório após a disputa na convenção. De acordo com a secretaria do partido, o dia 5 de março é o prazo final para o lançamento de candidaturas da chapa.


Em São Paulo


Pedro Tobias anunciou ainda que quer expandir o processo democrático interno para a eleição do diretório estadual, que também ocorre este ano. O tucano só vai concorrer ao segundo mandato se houver voto direto entre os delegados do partido. “Se não for assim, não quero mais. Chega de quatro ou cinco pessoas definirem tudo”, pontuou.


Apoio moral


Tobias também discursou para os dois vereadores do partido, que, junto com o PV, são minoria na bancada de oposição ao governo Rodrigo Agostinho (PMDB) na Câmara Municipal. “A batalha é aguerrida. Contra o Izzo [ex-prefeito Antônio Izzo Filho], eu fiquei sozinho e foi essa postura crítica que me elegeu deputado”, afirmou.


O tucano pediu ainda maior envolvimento da juventude, das mulheres e de grupos sindicais na vida orgânica do PSDB.