09 de julho de 2026
Geral

Familiares de Sandra pedem Justiça

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Com cartazes nas mãos e camisetas com a foto de Sandra Maria da Silva, aproximadamente 30 pessoas, entre familiares dela e amigos, caminharam ontem à tarde até o local onde ela foi assassinada pedindo Justiça e punição aos acusados. A auxiliar de serviços gerais de 36 anos, que estava grávida de dois meses, foi encontrada morta no último dia 1, com o pescoço cortado, em um matagal no Mary Dota. Existe a suspeita de que ela tenha sido estuprada. O autor do crime não foi identificado.


A concentração do grupo ocorreu em um posto de combustível na rua Cezar Cruz Ciafrei, no Jardim Chapadão, próximo à residência onde Sandra morava com o marido José Pereira de Lima, 28 anos, e três filhos, um adolescente de 16 anos, fruto de relacionamento anterior, um menino de 3 anos e uma menina de 1 ano e três meses.


Os cartazes com frases como “Luto Eterno” e “Queremos Justiça pela morte cruel”, refletiam o sentimento comum entre amigos e familiares que, até agora, dizem não entender direito o que realmente aconteceu. Todos são unânimes ao definir a vítima como uma pessoa pacata, caseira e que não tinha inimizades com ninguém.

Depois de caminhar por alguns metros, o grupo seguiu por uma trilha de terra até a árvore próxima de onde o corpo de Sandra foi encontrado. O local foi isolado com uma cerca de arame após o crime. Em frente à árvore, todos fizeram uma oração em homenagem à vítima e clamaram por Justiça.


Segundo duas colegas de trabalho, que preferiram não revelar o nome, Sandra era bastante reservada e quase não falava sobre a vida pessoal. Uma delas mostrou uma trilha por onde ela costumava cortar caminho para chegar ao trabalho – um frigorífico localizado no mesmo bairro. “Aqui é bastaste movimentado. Como ninguém ouviu nada?”, questiona.


Sônia Maria Nunes, prima de Sandra, declarou que as duas eram muito próximas e chegaram a se casar com dois irmãos – um deles é pai do adolescente de 16 anos. Ela conta que conversou com a prima no dia 29 de janeiro, um dia antes dela desaparecer, mas ela não chegou a relatar nada de anormal.

 

Mãe diz que filha queria ir embora para o Sergipe

A mãe de Sandra Maria da Silva, Maria Felícia Santos, 65 anos, que mora em Aracaju, no Sergipe, veio para Bauru após a morte da filha e diz que pretende ficar até que o assassino dela seja preso e os laudos periciais fiquem prontos. Na opinião dela, o autor do crime foi alguém muito próximo de Sandra.


Maria Felícia conta que, no dia 29 de janeiro, um dia antes da filha desaparecer, conversou com ela por telefone e ouviu a seguinte frase: “Mãe, se prepare para cuidar dos meus filhos porque eu estou indo embora para o Sergipe”. Segundo ela, ao perguntar se a filha iria com o marido, ela respondeu que não.


Na opinião de Maria Felícia, Sandra parecia não estar bem, pressentindo que algo ruim estava prestes a acontecer. A mãe conta que pediu para ela aguardar até dia 8 de fevereiro, quando receberia um dinheiro. O plano dela era buscar Sandra em Bauru no dia 15. Porém, ela não conseguiu cumprir a promessa que havia feito à filha.


Maria Felícia revela que na segunda-feira irá entrar na Justiça para solicitar a guarda dos dois netos que, por enquanto, estão morando com o pai. Ela teme que José Pereira de Lima  leve as crianças para morar com a avó paterna no Estado do Maranhão e que não consiga mais vê-los.


 

Relembre o caso

Sandra Maria da Silva era casada, tinha três filhos e trabalhava em um frigorífico no núcleo Mary Dota. Ela saiu de casa para trabalhar no dia 30 de janeiro, por volta das 6h30, e não retornou. Preocupado com a falta de notícias, o marido José Pereira de Lima tentou contato com a mulher, sem sucesso.


Ele chegou a procurá-la em hospitais e na casa de uma colega de trabalho, que revelou que ela não havia ido trabalhar naquele dia. O marido também procurou a Polícia Militar (PM) e foi orientado a aguardar o dia seguinte para registrar o desaparecimento. José ainda espalhou cartazes pelo bairro com a foto de Sandra.


Na manhã do dia 31, ele registrou o sumiço da mulher e reuniu um grupo para tentar localizá-la. No dia seguinte, pouco após a meia-noite, ele, um irmão, um amigo e um parente de Sandra encontraram ela morta, sem roupas, com um corte profundo na garganta, em um matagal. A arma do crime não foi localizada.


Na ocasião, o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja, disse que as suspeitas de que a vítima tivesse sido estuprada eram fortes. Uma das linhas de investigação aponta que o crime tenha sido cometido por alguém próximo da mulher. Outra hipótese é de que o cenário tenha sido “montado” para dificultar o trabalho da polícia.


Além da perícia no local, a Polícia Científica coletou material dos órgãos genitais e da boca de Sandra na tentativa de encontrar vestígios de sêmen. O feto que ela esperava também foi submetido a teste de DNA. Os resultados dos laudos ainda não ficaram prontos.