08 de julho de 2026
Nacional

Acessos a computadores em casa disparam e fecham LAN houses


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Segundo o projeto Solos Culturais, o uso de computadores em residências nas cinco favelas pesquisadas já supera os acessos feitos em LAN houses. O comerciante Alexandre Ferreira, 43 anos, já havia percebido a mudança. “Eu fundei uma das primeiras LAN houses da Rocinha, mas acabei fechando porque o movimento caiu muito”, diz Ferreira, que fechou em 2010.


Com a crise, ele vislumbrou um novo negócio. “Comecei a vender o acesso à Internet. No início, de uma maneira talvez até ilegal”, reconhece o comerciante, que formalizou a empresa após a ocupação da favela pelas forças policiais, no final de 2011. “Agora, eu compro o link de uma operadora e distribuo pela Rocinha. Tudo legalizado”, diz ele, que alcançou 1.500 clientes em pouco mais de um ano.


Morador da favela, Vinícius Santiago de Lima, 19 anos, usa o laptop da irmã mais velha para acessar o Facebook. Na rede, ele tem 863 amigos e 373 fotos. “Já cheguei a passar o dia inteiro, mais de doze horas seguidas, no Facebook”, conta.



Favela “superligada”


Nove entre dez moradores de favelas cariocas, com menos de 30 anos, acessam a Internet. A maioria utiliza o computador de sua própria casa. Quando conectados, os usuários priorizam redes sociais como o Facebook.


As constatações citadas são parte de uma pesquisa com residentes, de idades entre 15 e 29 anos, de cinco áreas de baixa renda: Rocinha (na zona sul), Cidade de Deus (na zona oeste), Manguinhos e os complexos do Alemão e da Penha (na zona norte).


O levantamento, baseado em 2 mil entrevistas, foi produzido entre os dias 17 e 22 de dezembro de 2012 para o projeto Solos Culturais, uma parceria da Secretaria Estadual de Cultura com a ONG Observatório das Favelas.


Segundo os pesquisadores, a adesão à internet desta parcela da população sinaliza que estão ocorrendo mudanças. “O cidadão invisível na rua aos olhos da sociedade consegue ser reconhecido em redes sociais como o Facebook. O excluído está alçando virtualmente sua visibilidade. Isso é uma revolução no imaginário da cidade”, avalia Jorge Luiz Barbosa, professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e diretor do Observatório das Favelas.