08 de julho de 2026
Bairros

Crime é desvendado graças a acidente

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis

Gol com placas de Bauru foi roubado no mês passado em frente à casa da vítima

Um acidente de trânsito resultou na prisão de um homem acusado de roubo e na detenção de um rapaz, que responderá por receptação.

Marcos Willians de Souza Cuco, de 25 anos, é apontado pela polícia como autor de um assalto ocorrido no final do mês passado, no Jardim Higienópolis. Na ocasião, um Gol, com placas de Bauru, foi roubado em frente à casa da vítima, uma professora de 25 anos, abordada por ladrões quando desceu para abrir o portão da residência.

Além do suposto assaltante, o montador Miquéias Orlando dos Santos da Silva, 20 anos, também foi detido, sob acusação de ter adquirido o veículo levado no assalto. Ele foi preso depois de se envolver num acidente de trânsito, ontem pela manhã, na rotatória entre a avenida Elias Miguel Maluf e a rua Bento Duarte de Sousa, no acesso ao bairro Nova Esperança.

Segundo testemunhas, o carro conduzido por Miquéias teria tido a trajetória cortada por um Fiat/Uno, no momento em que fazia a rotatória. Ao tentar desviar, o motorista teria perdido o controle da direção do Gol, que capotou. O veículo ficou parcialmente destruído, com danos principalmente na dianteira.

Colegas da empresa onde Miquéias trabalha, uma firma de eventos e formaturas, trafegavam logo atrás e dizem ter visto o acidente. Eles pararam e ajudaram a socorrer o rapaz, que foi levado ao Pronto-Socorro Municipal Central, onde ele foi medicado e rapidamente liberado, apenas com escoriações no braço.

Policiais militares deslocaram-se ao local do acidente e, ainda no momento em que o motorista foi socorrido, constataram que o carro, de cor vermelha, placas DFW-0539, modelo 2008/2009, havia sido roubado. Do Pronto-Socorro, Miquéias foi conduzido ao Plantão Policial, onde disse ter comprado o veículo de Marcos.


Réu confesso

Por volta do meio-dia, policiais militares da Base Noroeste foram à Vila São Paulo, onde mora o homem que supostamente roubou e teria vendido o automóvel para Miquéias. Marcos não estava em casa, mas foi localizado numa oficina mecânica na Pousada da Esperança. Ao notar a presença dos policiais, o acusado, dizem os PMs, ainda tentou fugir, mas sem sucesso.

De início, informam os policiais que trabalharam na ocorrência, Marcos negou participação no crime. Contudo, confessou posteriormente que, de fato, roubou o carro da professora.

Ainda conforme a polícia, Marcos tem diversas passagens criminais, principalmente pelos crimes de roubo e receptação de veículos. A caminho da delegacia, apurou informalmente a reportagem, o acusado ainda teria dito responder a nove inquéritos.


Barato saiu caro

Segundo os familiares, Miquéias teria se envolvido de “boa fé”. De acordo com a esposa do rapaz, que pediu para ter a identidade preservada, ele não sabia que o carro era roubado, apesar do bom negócio que teria feito. Uma moto e R$ 3 mil teriam sido dados de entrada pelo carro que, mesmo comprado há cerca de 30 dias, ainda estava sem a documentação.

“Os papéis não saíam e a gente queria desfazer o negócio porque os documentos não vinham”, justificou a mulher de Miquéias, na porta da delegacia. “Ele estava muito feliz com o carro, até foto no Facebook havia postado”, acrescenta a esposa do acusado de ter comprado o veículo roubado.

As justificativas, entretanto, foram em vão. Apresentado à delegada plantonista Rosimeire Bárbara de Souza, o montador foi autuado por receptação e, consequentemente, permaneceu detido.

O delegado Cledson Luiz Nascimento, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), foi ao Plantão Policial e solicitou a prisão temporária de Marcos, cuja participação no roubo será apurada.

A polícia suspeita da participação de outra pessoa no roubo do automóvel. Aos PMs, o acusado disse ter roubado sozinho. A vítima, entretanto, disse ter sido abordada por dois ladrões que estavam em uma motocicleta.

O provável assaltante teve remoção solicitada para a Cadeia de Avaí, para onde Miquéias também seria deslocado. O encaminhamento ou não do montador para a unidade carcerária dependia do deferimento, ou não, de pedido de habeas corpus que, ao menos até ontem à tarde, ainda não havia sido impetrado.