10 de julho de 2026
Articulistas

Tudo acontece tão depressa

Munir Zalaf
| Tempo de leitura: 2 min

Assim como chegou o carnaval passou. Tudo acontece tão depressa. De repente já é amanhã. Do carnaval, ficaram as lembranças. Boas e ruins. O que não deveria, foi feito como proeza ou desvario. As boas não passaram de meras aventuras. O que precisava ser feito não foi. Um copo a mais bloqueou.

Tudo acontece agora. O homem se fantasia diariamente para a luta pela sobrevivência. As situações o obrigam a mudar a alegoria. Com frequencia pra enfrentar as tentações do carnaval da existência. São tantas as máscaras que a personalidade o caráter e a vergonha na cara se escondem na sombra pessoal.

No carnaval as pessoas revelam o seu avesso. Botam pra fora nas cantigas e no saracoteado a pressão das suas frustrações. Lançam nos salões nas avenidas e nos sambódromos seus hinos da liberdade reprimida por problemas pessoais.

Como no carnaval tudo acontece tão depressa na vida. Quando menos se espera, vapt vupt, aconteceu...

O rompimento com a pessoa amada. O vazio se encheu com a tristeza. A agonia e a nostalgia pela separação feriram vidas e apagou esperanças.

A gente nem percebe que tudo acontece tão depressa. A ânsia de ter e ser prestigiado faz deslembrar que a vida é mais importante do que o poder. Que a paz nasce da humildade. E o egoísmo é a arma preferida do capeta. A destruir a grandeza espiritual do fraco que ainda vive com a alucinação do seu carnavalzinho particular.

Na pressa que tudo acontece nem mastiga o pão de cada dia direito na afobação de chegar primeiro a lugar nenhum. Onde nem sonhos existem. Totalmente oco o alvo desenhado. Aí vem a azia, o refluxo, a vontade de chorar. Mas não chora porque é macho.

Cá entre nós. O homem que não chora porque se julga muito macho é burro. Ignora que o choro é a válvula do desafogo. Riacho a escorrer pela face até alcançar e lavar o coração. A alma e o espírito ficam leves. A alma cochila. O espírito reencontra a luz que apagou na sua tola vaidade.

Não é preciso voar porque tudo acontece tão depressa. Deixar fluir e ajudar pra que tudo suceda pra vida ser alegre. Superar contratempos com exultação. Com fé. Reconhecer a própria capacidade de alcançar o topo onde plantou as esperanças.

Sem correria. Tudo acontece tão depressa que logo será carnaval outra vez.

Dentro do salão na cabeça de cada um pra alcançar o auge da sua fantasia. E se tiver que chorar não ser burro. Chorar muito, com ardor. Até quase perder o fôlego. Até alcançar os sonhos. Porém, não se esqueça de tirar as máscaras...

O autor, Munir Zalaf, é escritor e palestrante