08 de julho de 2026
Bairros

Nem epidemia de dengue conscientiza

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Reprodução/Internet

Bauru já registra 462 casos de dengue em 2013

Não adianta. Mesmo com os números crescentes dos casos de dengue em Bauru em 2013, a população parece não adotar as medidas preventivas para eliminação de criadouros de larvas do mosquito transmissor. Os terrenos baldios são o grande exemplo disso. Basta um breve passeio pela cidade para ver a grande quantidade de lixo e entulhos.

Ontem, por meio da assessoria de comunicação, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou outros 60 novos casos de dengue em Bauru, totalizando 462 casos. Desses, 457 são autóctones e cinco importados.

A quantidade em menos de dois meses já é 13 vezes maior do que 2012 todo, quando foram apenas 35 confirmações. Apesar da epidemia, a população dá claros sinais de que ainda trata o tema com descaso.

No Pousada da Esperança 1, um recipiente amarrado em uma árvore intrigava. Até o fechamento desta edição, a reportagem não descobriu a real função do pote encontrado no terreno baldio na quadra 4 da rua Santo Garcia. “Pra que serve? Acho que só para juntar dengue mesmo”, brinca o pedreiro Nelson da Silva Mira, 46 anos.

Apesar do bom humor, ele, que mora em frente ao terreno, sabe que dengue é coisa séria. “Estou com dor de cabeça, na vista e no corpo. Acho que estou com dengue”.

No terreno, não há apenas o “pote que só serve para juntar dengue”. A quantidade de entulho impressiona. Mara Lopes de Souza, 64 anos, afirma que os moradores estão sem opção. “Tem de tudo por aqui. Ou deixamos isso do jeito que está ou colocamos fogo. Tem que ver o que é menos pior”.

E a situação, assim como o contágio da dengue, não é exclusiva no Pousada da Esperança. No Jardim Ivone, outro terreno baldio virou depósito de lixo e entulhos. Até um sofá estava jogado no local.


Cercada

Ao lado deste terreno mora Dalgiza Ferreira da Costa de Oliveira, 41 anos. Ela mostra sua casa bem cuidada, porém está preocupada em relação ao terreno. “Não adianta fazermos nossa parte se todo mundo não faz o mesmo”.

E ela vive uma situação ainda pior: está cercada pelo descaso. Além do terreno baldio, tem uma caixa de esgoto aberta com água parada bem em frente a sua casa. “Eu nem tinha visto isso aqui para falar a verdade”, aponta a dona de casa, afirmando que o reservatório é de uma construção vizinha.

Em meio a esse contexto, vale destacar as medidas preventivas divulgadas pela Secretaria de Saúde: evitar vasos de plantas com pratos de plásticos; manter ralos internos e externos tampados, bem como vasos sanitários; manter as piscinas limpas, tampadas ou desmontadas, quando possível; descartar todo material inservível com potencial para criadouro de larvas do mosquito Aedes aegypti (garrafas, latas, embalagens vazias, pneus e outros) e manter a limpeza das calhas antes de sair de casa por vários dias.


Estratégias

A epidemia de dengue em 2013 já gerou estratégias novas para combater a doença. Conforme o JC divulgou, casos suspeitos também passaram a ser notificados e encaminhados ao Departamento de Saúde Coletiva para que ações sejam definidas antes mesmo da confirmação das infecções.

O medo da doença não é em vão. Apesar dos poucos casos no ano passado, Bauru teve, em 2011, a pior epidemia da história. Na ocasião, seis pessoas morreram e 4.366 pessoas foram contaminadas, sendo 4.360 casos autóctones e seis importados.


Para mudar, só sentindo na pele

O descaso com a doença muda completamente em quem sabe o que é contrair a dengue. Foi o que ocorreu com dona de casa Tatiane Aparecida de Oliveira Rossi, 27 anos. “Não conseguia nem me mexer”.

Moradora do Jardim Ivone, ela trabalhava com recicláveis quando pegou dengue há cerca de 3 anos. “Foi horrível. Fiquei internada. Era uma dor imensa”, conta.

Após contrair a doença, parou de trabalhar e começou a cuidar mais da casa. “Hoje, deixo tudo certinho. Nem tenho mais plantas, por exemplo”. A preocupação, contudo, não é só com ela. “Tenho quatro crianças pequenas. Tenho muito medo que eles tenham o que eu tive”.

E o perigo está perto. Ela mora em frente a um terreno baldio com acúmulo de entulhos. “Tem muito lixo e mosquitos por aqui. Faço a minha parte, mas, o povo não”, finaliza Tatiane Rossi.


Mutirão e nebulização

A prefeitura, em conjunto com diversos outros órgãos, realizará um mutirão de limpeza neste fim de semana.

A ação contará com aproximadamente 50 funcionários e atenderá os seguintes bairros: Vila Souto, Vila Celina, Vila Paraíso, Jardim Jussara, Vila Nipônica, Jardim Gaivota, Vila Ipiranga, Água do Sobrado, Parque das Andorinhas, Parque dos Sabiás, Jardim Vitória, Jardim Ouro Verde e Jardim Ferraz, o que compreende aproximadamente 700 quarteirões.

Além disso, as equipes da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) terminam hoje a nebulização no Mary Dota. 


Recomendações

A secretaria recomenda à população que, durante a aplicação do inseticida, os acamados sejam mantidos em cômodos com portas e janelas fechadas, que gaiolas sejam mantidas cobertas, que as janelas e portas estejam abertas e os demais animais e moradores do imóvel visitado permaneçam na rua até o final do trabalho.

Equipes dos agentes de endemias da Secretaria da Saúde também continuam o serviço de controle de criadouros de larvas nas regiões do Parque Viaduto, Vila Independência, Vila Ipiranga e adjacências.