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Reprodução/Bild.com |
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Menos de 50 dias após chegar ao Hannover, bauruense está fora da temporada por causa da tuberculose |
O volante bauruense França, 21 anos, revelado pelo Noroeste, recebeu na manhã de ontem o diagnóstico de que está com tuberculose. A informação foi confirmada pelo seu clube atual, o Hannover, da Alemanha, após a realização de exames que detectaram a doença.
A previsão inicial é de seis meses de afastamento dos gramados, ou seja, França só deve voltar a jogar em agosto, quando começa a próxima temporada alemã. “Neste momento o mais importante é que ele fique saudável novamente. Desejamos a ele a melhor recuperação”, afirmou o presidente do Hannover, Jörg Schmadtke, em comunicado oficial. O jogador deve retornar ao Brasil em cerca de dez dias, para ser tratado, provavelmente em Bauru.
O dirigente confia no retorno do jogador aos gramados do futebol alemão. “Após o tratamento adequado, ele será capaz, de acordo com os médicos, de continuar normalmente sua carreira como jogador de futebol. Esta notícia é importante e muito boa para o jogador e para nós”, destacou Schmadtke. “Onde pudermos ajudar, estaremos à disposição”, conclui.
O técnico do Hannover também desejou uma rápida recuperação ao volante. “Todos nós desejamos a França que se recupere logo”, disse Mirko Slomka, que fez elogios ao brasileiro. “Eu o conheci nas primeiras semanas como um jogador de grande atitude”, disse o treinador no site oficial do Hannover. França tem contrato de três anos com o clube alemão.
“A doença se torna ativa após quatro meses a partir da infecção (período de incubação)”, afirmou Helga Heykes-Uden, chefe da agência de saúde local. Como o jogador deixou o Brasil no dia 11 de janeiro, as autoridades afirmam que França deve ter se infectado ainda em solo brasileiro - ele atuava pelo Criciúma, de Santa Catarina.
Doença muda rotina do Hannover
Por causa do risco de contágio, o clube já definiu que jogadores e membros da comissão técnica serão submetidos a exames específicos, de sangue e radiografia, para detectar uma eventual infecção.
Por telefone, jogador fala da sua situação
A informação de que o atleta estaria com tuberculose já corria em Bauru na quinta-feira. No mesmo dia, a reportagem do JC manteve contato com a família do jogador e com seu procurador, Marcelo Lipatin, que não confirmaram a informação naquele momento – o caso era tratado como suspeita, pois os exames só ficaram prontos ontem.
O JC manteve contato por telefone com França ontem à tarde. Ele está internado em um hospital de Hannover.
Confira abaixo os principais trechos da entrevista.
Jornal da Cidade – Houve a confirmação de que você está com tuberculose. Já está em tratamento?
França – Já estou no hospital, em tratamento. Estou no hospital desde segunda-feira. Eu já vinha há um tempo tossindo, a princípio era uma bronquite, mas eu tomei remédio e passou, mas voltou a piorar de novo, comecei a sentir falta de ar e apontou tuberculose. Fiz os exames nesta semana.
JC – Os médicos sabem se você pegou a doença na Alemanha ou no Brasil?
França – Provavelmente foi no Brasil mesmo, aqui na Alemanha não tem tuberculose.
JC – Já te passaram detalhes do tratamento?
França – Sobre o tempo não falaram nada ainda. Não tem uma previsão sobre o prazo pra voltar a treinar.
JC – Você retorna ao Brasil para se tratar?
França – Dependo dos médicos, vamos ver, até a semana que vem eles vão dar uma resposta.
JC – E a adaptação na Alemanha, como está?
França – Está bem. No começo senti bastante o frio, mas depois me adaptei. Como a comida daqui mesmo, tem bastante restaurante que oferece isso.
JC – Você sentiu dificuldade com o idioma?
França – Sinto, mas tem um tradutor que me ajuda, o Cristiano Ramos, ele é brasileiro. O Hannover está me ajudando, oferecendo curso.
JC – Um ano atrás você estava jogando a Série A-2 no Noroeste. Depois foi para o Coritiba, subiu para a Série A do Brasileiro com o Criciúma e em janeiro foi para o Hannover. Como assimilou tudo isso?
França – Tudo aconteceu muito rápido na minha vida, tudo em pouco mais de um ano. Eu agradeço a Deus por isso, por ter me dado essa chance, e está sendo muito bom viver essa experiência. Agradeço a todos pela torcida.
JC – Tem mantido contato com a família e os amigos em Bauru? Acompanha o Noroeste?
França – Converso bastante com meus familiares. Estou acompanhando o Noroeste daqui, ganharam agora do Monte Azul, converso bastante com o Diego (atacante), jogamos juntos no Noroeste.
JC – Logo nos primeiros dias no Hannover, o treinador Mirlo Slomka contestou sua estatura (em matéria publicada no jornal ‘Bild’). Foi um mal entendido?
França – Não sei como foi exatamente isso, cheguei aqui fiquei surpreso com a reportagem que saiu no jornal. Mas conversamos e não houve nada demais, está tranquilo.
JC – Aliás, você conversa bastante com o treinador, ele falava sobre seu desempenho nos treinos?
França – O técnico é gente boa, falamos bastante, disse que gosta do meu futebol e que eu só tenho a crescer. Infelizmente aconteceu este problema comigo, e não estou podendo treinar nem jogar.
JC – Tem mais algum brasileiro no elenco?
França – Tem um zagueiro, chamado Felipe, ele é de Americana (Interior de SP). Sempre converso com ele.
JC – Assim que terminar o tratamento, você terá a oportunidade de jogar um grande campeonato nacional (alemão) e competições internacionais. Tem alguém que você gostaria de enfrentar, algum jogador que só via pela TV e agora terá a chance de jogar junto?
França – Quanto a isso é tranquilo, nem gosto de ficar pensando, quero mesmo é jogar. Não tem nenhum jogador em específico que gostaria de enfrentar.
JC – A sua negociação foi a maior do Noroeste nos últimos anos. Você encara isso como uma responsabilidade a mais também?
França – Cada jogador tem sua responsabilidade. A minha continua sendo a mesma, do jeito que eu saí do Noroeste, com os pés no chão, continuo até hoje, de cabeça erguida, respeitando a todos, quero dar sequência ao meu trabalho.
JC – Sua esposa e sua filha devem te acompanhar futuramente na Europa?
França – No momento elas estão no Brasil. Mais para frente quem sabe elas venham.
Família acompanha pela Internet
A mãe do jogador, Ivone Muniz dos Santos Leite, mantém contato com França através da Internet. “Ele está bem, no hospital, está tomando medicamento. Hoje (ontem) soubemos que é tuberculose”, comentou. “Fiquei muito preocupada. Há 30 anos essa doença matava, hoje felizmente existe tratamento, remédios, mas a gente nunca deixa de ficar preocupada”, falou.
A expectativa da família é que o jogador possa vir para o Brasil. Caso contrário, a mãe dele deve ir para a Alemanha. “Se não liberarem, eu e meu esposo vamos para lá, dentro de uns dez dias, por volta de 5 de março”, explicou Ivone. “Ele está sozinho lá, aqui tem a família, a filha dele está aqui, será melhor se ele puder vir”, disse.