09 de julho de 2026
Geral

Apeoesp afirma que professor mediador não funcionou e que problema continua

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

As ocorrências registradas em Bauru logo nos primeiros dias de aula não são uma coincidência. O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp) confirma que somente o ano mudou, porém a violência continua.

A diretora estadual da entidade, Suzi da Silva, afirma que uma das estratégias divulgadas como solução em 2012 não funcionou. “Criou-se a figura do professor mediador. É algo que não funcionou. E a culpa de não conseguir resolver esses problemas não é do professor. Ele é um docente comum, que não tem esse preparo.”.

Ela relata ainda que foi realizada uma conferência de educação no final do ano passado, mas as soluções práticas discutidas no evento não vieram. “Fizemos uma lista com os vários pontos necessários para melhorar as escolas. Estava lá, inclusive, a questão da segurança. Até agora, não fomos atendidos”.

Sem esses pedidos atendidos, a consequência pode ser a paralisação dos professores. “Caso as reivindicações não sejam atendidas, há grande possibilidade de a categoria deflagrar uma greve em abril deste ano”.


Ocorrências diminuíram 17% em 2012

Apesar do contexto preocupante de violência nas escolas em Bauru, o número de ocorrências envolvendo as instituições e seus entornos diminuiu entre 2011 e 2012. Foram 149 casos a menos, o que representa uma redução de 17%.

De acordo com a PM, as estatísticas foram reunidas em oito grandes grupos: ato infracional, contravenção penal, furtos, furtos de veículos, lesão corporal, roubo, ocorrências não criminais, danos, desentendimentos, injúrias e outros crimes tentados.

Somando todos esses grupos, 2011 teve 991 ocorrências. Já em 2012, foram 842 casos. O oficial de Relações Públicas do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), capitão Alan Terra, contudo, faz uma ressalva. “Essa estatística representa as escolas e suas proximidades. Então, pode haver casos que não tenham qualquer relação com as instituições”.

Em relação à diminuição, ele alega que pode haver duas hipóteses. “A primeira e a que preferimos crer é de que o trabalho ostensivo funcionou e diminui os casos. A segunda é a da subnotificação, ou seja, quando o caso não é registrado. Isso prejudica muito o trabalho da PM”.


Outro lado

Em nota, a Secretaria de Estado da Educação informou que o adolescente identificado como autor das pichações foi suspenso por seis dias e os responsáveis foram convocados para uma reunião, a fim de enfatizar a importância da parceria entre família e escola para prevenir que episódios como esse se repitam e promover o debate sobre a importância da preservação do patrimônio público. Além disso, o Conselho de Escola se reunirá para definir outras medidas disciplinares que serão aplicadas e o caso já está sob acompanhamento do professor-mediador que atua na unidade.

Quanto à escola Santa Edwirges, a equipe gestora acionou a Polícia Militar, pois pessoas não identificadas que transitavam pela rua jogaram fogos de artifício no interior da instituição. Não houve feridos e as aulas não foram interrompidas. “A Secretaria da Educação trabalha regularmente no combate à violência por meio de ações como o Sistema de Proteção Escolar, implantado em 2009 nem todas as escolas da rede”.