08 de julho de 2026
JC Criança

A importância de perguntar


| Tempo de leitura: 3 min

Perguntar e esclarecer dúvidas é uma parte essencial do processo de aprendizagem. Mas nem nem todo mundo sente-se à vontade para dizer que não entenderam algo ou até para satisfazer sua curiosidade na sala de aula. Seja por timidez ou porque o ambiente (tanto em casa, quanto na escola) não propicia essa liberdade, muitos meninos e meninas simplesmente não perguntam. Podem até parecer mais comportados assim. Afinal de contas, dão "menos trabalho".

O perigo é que, por traz do silêncio, haja uma cabecinha repleta de dúvidas que se acumulam sem ser sanadas. Nesses casos, quando os adultos perceberem, a criança pode já estar defasada. E o caminho para recuperar o tempo perdido que uma simples pergunta na hora certa poderia ter resolvido por vezes é longo, penoso. Por isso, vale a pena prevenir. Como ajudar seu filho a perguntar? "A escola tem de provocar, levar a criança a formular perguntas que a façam conhecer coisas novas. Ensiná-la a ir além das perguntas que somente asseguram um saber", diz Gabriela Macedo, pedagoga e psicóloga que trabalha como orientadora em uma escola de São Paulo, durante entrevista ao Educar para Crescer.

Dicas para alunos pais e professores

Comece perguntando

Converse com os professores de seu filho para saber como ele se comporta em aula, se costuma expor suas dúvidas ou não. Fale também com a criança e tente entender como ela se sente a respeito. É a partir dessa base que outras atitudes devem - ou não - ser tomadas. Acompanhar suas notas e desempenho também trará pistas sobre as áreas de maior dificuldade. E os alunos não devem ter medo ou vergonhas de dizer que não entendeu e perguntar para tirar dúvidas.

Receba bem a dúvida

"As crianças precisam ter espaço para não saber", diz a terapeuta de casal e família e mediadora de conflitos Magdalena Ramos. "Quando os pais se incomodam com as dúvidas ou com a ignorância dos filhos, a criança percebe esse incômodo, acaba se retraindo e deixando de perguntar. É preciso estimular a dúvida, deixar claro que não saber não é um erro - além de ouvir, responder com paciência e explicar mais de uma vez se o assunto não ficou claro.

Certifique-se de que há espaço para perguntas

"Alguns colégios mais autoritários ou formais inibem o aluno na hora de perguntar", diz Magdalena Ramos, autora de A Difícil Arte de Criar os Filhos. "Para eles, aluno que pergunta demais atrapalha." Tente escolher uma escola que respeite e estimule a curiosidade, principalmente se seu filho é mais tímido, aconselha a terapeuta.

Veririfique como está a autoestima do seu filho

Quando uma criança sente que não corresponde à expectativa dos pais, dos professores ou até dos colegas, quando se sente inadequada, a tendência é que fique mais calada, que procure ser "invisível". Nesses casos, é preciso reafirmar-lhe sua capacidade, mostrar-lhe que todos acreditam em seu potencial, para que ela possa, então, aventurar-se a se expor.

Drible o desrespeito

Crianças extremamente fechadas ou tímidas costumam ser alvo fácil dos colegas de escola. "A timidez extrema sempre inclui algum grau de sofrimento", diz a terapeuta Magdalena Ramos. Ela aconselha tanto pais quanto escola a acompanhar essas crianças de perto e, caso não estejam integradas socialmente, procurar ajuda especializada. "É papel da escola garantir que haja divergência de opiniões e até crítica, mas jamais desrespeito", diz Gabriela.

Ajude a criança a aceitar a dificuldade

Ao longo da vida escolar, será preciso lidar com alguma dificuldade. Nem sempre uma lição é simples, um conteúdo é assimilado tranquilamente. "Por vezes, as crianças se irritam ou se frustram perante um desafio. Fazê-las entender que é papel da escola tirar o aluno da zona de conforto pode ajudar a aceitar a dificuldade para então conseguir reler, repensar", diz a pedagoga Gabriela Macedo. Dizer ao seu filho: "Se a escola só ensinasse coisas que você já sabe, não seria uma boa escola, não é?", pode ser um começo.

Ajude a criança a se soltar

Atividades como teatro ou circo podem auxiliar uma criança a lidar melhor com seu corpo, ensiná-la a colocar-se e ajudá-la a soltar-se, desinibir-se. Agora, se a timidez ou retraimento for excessivo, é preciso avaliar se esse comportamento é sintoma de algum problema em casa ou na escola, e procurar ajuda.