09 de julho de 2026
Internacional

Papa publica decreto que abre caminho para antecipar o conclave

Agências
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Um clérigo graduado renunciou ontem, e o Papa Bento XVI realizou uma alteração na lei vaticana para permitir mais rapidez na eleição do seu sucessor, ampliando a sensação de que a Igreja Católica vive uma crise.

A três dias de se efetivar a renúncia do Papa Bento XVI - algo inédito em cerca de seis séculos -, ele aceitou a demissão do único cardeal-eleitor do Reino Unido, arcebispo Keith O’Brien, que ficará excluído do conclave.

O’Brien, que continuará sendo chamado de cardeal, negou acusações de que teria se comportado inapropriadamente com os padres ao longo de 30 anos, mas apesar disso anunciou que deixará o comando da arquidiocese de Edimburgo, na Escócia.

O’Brien deixa o cargo um dia após a publicação de denúncias contra ele no jornal britânico “The Observer”. O dominical informou que três atuais sacerdotes e um ex-padre de “comportamentos inapropriados” durante orações noturnas na década de 1980.

Os sacerdotes o acusam de se aproximar de forma indevida durante as sessões, quando as supostas vítimas ainda eram seminaristas do Colégio de Saint Andrew e o atual cardeal era bispo. Não foi especificado que tipo de comportamento O’Brien tinha com os futuros sacerdotes.

Segundo o jornal, um dos denunciantes, um ex-sacerdote, disse que foi acusado na época de deixar a igreja para se casar. “Eu sabia que ele sempre teria poder sobre mim. Na época, disseram que deixei o sacerdócio para me casar. Não fiz isso, fui embora para preservar minha integridade”.

Mesmo sem ser mais arcebispo, ele poderia participar do evento que elegerá o sucessor de Bento XVI, mas disse que não fará isso porque não quer que a atenção da imprensa se volte para ele.

A dramática autoexclusão de O’Brien ocorre num momento em que o Vaticano continua resistindo aos apelos de alguns católicos para impedir a participação no conclave de outros cardeais acusados de envolvimento em escândalos sexuais, como o norte-americano Roger Mahony.

“A recusa de O’Brien é também importante como precedente”, disse Terence McKiernan, da entidade norte-americana BishopAccountability.org, que documenta casos de abusos sexuais cometidos por clérigos contra menores.

“Muitos cardeais com participação prevista no conclave se envolveram com bispos no trato de casos de abuso sexual do clero, e alguns deles fizeram um trabalho tão ruim que deveriam também se recusar (a participar) do conclave”, afirmou.


Conclave acelerado

Por uma regra definida em 1996 pelo antecessor de Bento XVI, João Paulo II, o conclave deveria começar pelo menos 15 dias depois da vacância do trono pontifício, mas Bento XVI alterou isso para que as reuniões prévias ao conclave possam começar já em 1 de março, dia seguinte à renúncia. Caberá então aos participantes desses encontros definirem a data de início da eleição.

Alguns cardeais querem apressar o início do conclave, para reduzir o período de acefalia da Igreja num momento de crise.

Mas outros acham que a antecipação do conclave dará vantagem a cardeais que já estão em Roma, trabalhando na Cúria, a administração do Vaticano, foco das acusações de incompetência e escândalos sexuais que alguns jornais italianos especulam que poderiam ter levado à renúncia do Papa. A Santa Sé nega o teor dessas reportagens.

O Vaticano parece ter a intenção de que um novo Papa esteja eleito até meados de março e empossado antes do Domingo de Ramos, em 24 de março, de modo a poder comandar as cerimônias que antecedem à Páscoa.

Desde que Bento XVI anunciou sua renúncia, no Carnaval, cardeais já fazem consultas informais por telefone e email.