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João Rosan |
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Calouros das faculdades passam por trote e ignoram restrição. |
Apesar da decisão da Polícia Militar de fiscalizar os trotes a calouros das universidades e de enviar relatórios às instituições, a prática não foi contida, conforme foi percebido em diversas esquinas ontem.
“Na minha opinião acho um exagero, essa é uma etapa fundamental da vida do universitário, todo mundo passou por isso, não é uma coisa perigosa, e eles não passam por nenhum tipo de tortura física ou psicológica, acho ainda que é uma coisa saudável, uma forma de integração”, diz o veterano Lucas Castro.
A caloura Nathalie Portela aprova a prática de integração. “Isso aqui é uma experiência única. Estou gostando e me divertindo com todos que estou conhecendo aqui”, revela.
Para o professor de antropologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, Cláudio Bertolli, o trote se constitui em um ritual de passagem.
“É uma nova fase da vida, o jovem que está se tornando adulto. E esse processo desde outros tempos é passado por algum tipo de violência ritual ou simbólica como pintar, sujar, e o bicho quer passar por esse processo, ser marcado para se sentir membro dessa nova comunidade”, explica.
O docente concorda com a atitude da parceria firmada entre as universidades e a Polícia Militar.
“De tempos em tempos você tem situações que precisam de limites. Nesse sentido a universidade se mostra impotente, pois os trotes acontecem fora do campus, por isso eu acho útil a presença da polícia, não para coibir, mas para lembrar que existem limites. A polícia se torna fundamental nesse processo”, conclui.