08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Zarcillo, Cuba e a blogueira


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Ao ler o artigo do articulista Zarcillo Barbosa, no último domingo, me faz sugerir a seguinte pergunta a ele: "Qual seria a reação dos EUA ou algum outro país onde se descobrisse que uma pessoa recebe altas verbas do exterior para desestruturar o sistema vigente da nação?" Sr. Zarcillo, você é sem dúvida uma pessoa de grande conhecimento, mas neste artigo em questão comete uma série de equívocos. Também conheço Cuba in loco, e tudo na vida devemos entender todo o processo histórico para não cairmos em rasos argumentos. É muito fácil excluir o lado social da ilha, as conquistas desta nação que tanto nos humilhamos em pedir em nosso país e inclusive nas nações capitalistas mais poderosas, onde impera não apenas uma desigualdade, mas uma exclusão social, assim como atribuir única e exclusivamente os problemas da ilha a seu comandante e sistema.

Qualquer um que lá esteja com um pingo de conhecimento histórico e honestidade verá uma participação popular enorme na organização do país. O povo cubano historicamente é digno lutador pela sua soberania, este estado jamais se sustentaria, ainda mais com um criminoso bloqueio que o senhor também não fez questão de citar. Foram os cubanos com seus líderes que evitaram que Cuba se tornasse exatamente o que o senhor desejou em seu artigo, uma Rússia e China, nações que acabaram com o que conquistaram e empurraram o povo trabalhador à miséria e exploração, a máfia russa saiu dos gulags para comprar o país a preços de bananas.

Cuba nunca se fechou ao mundo, agora podemos dizer isso dos países que bloqueiam, saqueiam nações alheias? Quando o capitalismo, se rachou em crise novamente pela Europa, vários articulistas correram a Marx para poderem explicar tal momento.

A tal blogueira, é sabido e qualquer um pode pesquisar isso, recebe suporte financeiro do grupo espanhol ligado ao El País (o jornal que fraudou uma foto do Chávez, lembra?) e também suporte dos americanos numa nova forma de tentar desestabilizar uma nação. Com quais interesses? Diz não haver mais esquerda e direita, mas, meu caro, a premissa do capitalismo é a desigualdade social, há um confronto de classes, como pode num mundo cada vez mais sufocado em crises achar que não existam lados, interesses e lutas em constante conflito?

O senhor acha que meia dúzia de famílias dominarem as grandes corporações midiáticas do mundo seja liberdade de informação? O que vocês tentam esconder e fazer desacreditar é que o modelo de ordem econômica é que dita os interesses, se interesses a uma nação ou a um pequeno grupo, e que esta ordem é que determinará também se há ou não a alienação pela força de trabalho.

O problema com Fidel na verdade, para ti, é que este não sucumbiu aos interesses dos neoliberais como fizeram no Brasil e hoje levam elogios seus, e como também não há deslizes de conduta do comandante, procuram atacar da forma mais covarde que é distorcendo a história, pelo menos reconheço que não se utiliza dos baixos clichês de sempre em dizer que lá o povo morre de fome, há tortura, agressões e etc, como se fosse um Haiti. Pra fechar, me lembro uma vez que o sr. disse que "o socialismo não deu certo". Não concordo, talvez você é que tenha sido um socialista que deu errado...

Marcos Paulo Rezende