Os formandos da Faculdade de Medicina de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) da Unesp atingiram 64,2% de acertos na prova do Conselho Regional de Medicina (CRM), acima da média nacional e entre as 12 das 28 escolas médicas paulistas. A média geral foi de 57,5%. O melhor desempenho dos botucatuenses foi na área de bioética (75,7%), seguida das áreas de obstetrícia (72,7%) e clínica cirúrgica (71,1%).
A prova foi aplicada em novembro do ano passado. Os formandos do curso de graduação em medicina da FMB alcançaram o 9º lugar na classificação entre as 28 escolas do Estado de São Paulo. Inscreveram-se 2.943 formandos e 2.411 fizeram a prova.
Também realizaram o exame recém-formados de 51 diferentes cursos de medicina de outros Estados brasileiros (347, do total de 2.872 presentes). Como irão se registrar no Cremesp e atuar no Estado de São Paulo, eles também fizeram a prova. Esta foi a primeira edição do exame obrigatório a todos os formandos de medicina.
Acerto abaixo de 60% (no geral) e por área de conhecimento é considerado insatisfatório pelo Cremesp. Assim, o exame de 2012 demonstra que há deficiências na formação dos estudantes em campos essenciais do conhecimento médico, segundo a Unesp. Chamou a atenção o baixo índice de acertos em saúde mental (média de 41% de acertos), saúde pública (46,1%), clínica médica (53,1%) e ginecologia (55,4%).
Dentre o total de participantes, formados em escolas médicas do Estado de São Paulo, 54,5% foram reprovados no exame do Cremesp, pois acertaram menos de 60% da prova, ou seja, menos de 71 das 120 questões.
A partir de 2012, a Resolução Cremesp nº 239 estabeleceu que, para obter seu registro profissional, os egressos dos cursos de medicina apresentem uma declaração de realização do exame. O registro não será condicionado ao resultado, mas à participação do graduado na prova. A iniciativa desta obrigatoriedade foi tomada em decorrência da queda acentuada na qualidade do ensino médico.
Segundo o vice-diretor da FMB/Unesp, professor José Carlos Peraçoli, apesar da escola ser contrária a realização e a obrigatoriedade do exame, por considerar que esse modo de avaliação é simplista e sem eficácia para atingir o objetivo do Cremesp, a colocação dos fomandos, pelo critério adotado pelo Conselho, entre as 12 escolas que obtiveram acima de 60% de acertos, mostra que o curso está no caminho certo. “A colocação em 9º lugar, independente de fatores que possam ter contribuído para isso, indica que temos que melhorar. Acredito que o novo currículo que está sendo elaborado trará grande contribuição”, avalia.