09 de julho de 2026
Polícia

Ladrões diversificam táticas de furto

Por Tisa Moraes | Colaborou Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Fotos: Éder Azevedo

Estabelecimento comercial no Jardim Ferraz teve um freezer levado em cinco minutos

Um freezer levado em cinco minutos, um notebook furtado por um ladrão disfarçado de pedreiro, capacetes retirados com vara de pescar de dentro de uma casa. Essas são algumas das táticas surpreendentes utilizadas por criminosos que não param de criar novas estratégias quando o assunto é lesar a população e se beneficiar.

No caso mais recente, registrado no Jardim Ferraz, na madrugada de ontem, um comerciante teve um freezer furtado da calçada após cinco minutos de distração. Proprietário de uma sorveteria, o homem de 51 anos havia retirado o eletrodoméstico para limpar o estabelecimento.

Quando retornou para buscá-lo, os ladrões já haviam agido sem serem percebidos. “Eu não esperava que Bauru chegasse ao ponto em

Estabelecimento comercial no Jardim Ferraz teve um freezer levado em cinco minutos

que chegou em relação à criminalidade. É um absurdo o que aconteceu”, reclama ele, que terá a identidade preservada por motivo de segurança.

Não se sabe como os criminosos conseguiram carregar tão rapidamente um objeto tão pesado. Em outro caso, registrado na semana passada, bastou um pouco de poder de convencimento e alguma força e equilíbrio para um ladrão furtar um notebook de dentro de uma casa localizada na Chácara das Flores.

Ele entrou no imóvel pelo forro e quebrou o alçapão, depois de explicar, para uma vizinha desconfiada, que estava fazendo a manutenção do telhado a pedido do proprietário. “Ele estava vestido como servente de pedreiro, com calça jeans, e até pegou uma das telhas de vidro da minha casa para mostrar para a vizinha, argumentando que estava trocando para a entrada de luz solar”, indigna-se o morador, um estudante universitário de 20 anos que não estava no local quando tudo aconteceu.


Táticas sazonais

O furto ocorreu pela manhã e, quando chegou à residência, à noite, o jovem encontrou todos os cômodos revirados. “Ele levou meu notebook com todos os meus trabalhos. Acho que estava em busca de joias, porque tudo estava fora do lugar”, relata.

Para especialistas consultados pela reportagem, à medida que algumas estratégias se tornam conhecidas e passam a ser combatidas pela polícia, os criminosos migram para novas formas de ação. E é para surpreender a população e evitar serem flagrados que os ladrões atuam a partir de táticas sazonais.

“Não dá para dizer que este tipo de crime está aumentando. Dependendo do objetivo e do nível de organização, estes criminosos utilizam técnicas menos ou mais sofisticadas para dificultar a investigação. Usuários de droga se valem da oportunidade imediata e têm pouco planejamento”, observa o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja.

Entre as estratégias utilizadas em anos anteriores e que já perderam força, o delegado cita a de ladrões se passarem por moradores de condomínios para furtar casas utilizando chaves mixas. A quadrilha que agia em Bauru foi desmantelada no ano passado, período em que também foram identificadas duas mulheres que agiam de maneira semelhante.

“Elas tinham boa aparência e se apresentavam na portaria como visitantes. Também com o uso de chave falsa, entravam rapidamente nas residências para furtar, especialmente, joias”, detalha, acrescentando que elas ainda não foram presas.


Furto com vara de pescar

Com uma vara de pescar, um ladrão levou dois capacetes de um imóvel localizado na Quinta da Bela Olinda, em Bauru, no final do ano passado. A vítima, que trabalha como segurança, não estava na casa e, quando retornou, percebeu que havia uma vara de pescar, de aproximadamente 10 centímetros, no terreno baldio que fica ao lado de sua residência.

A cerca do terreno baldio estava estourada e dois capacetes haviam sido subtraídos de dentro do imóvel.


Caixas eletrônicos

Conforme lembra o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja, as quadrilhas especializadas em explodir caixas eletrônicos ou furtar dinheiro dos terminais com o uso de “chupa-cabras” também alcançaram certo nível de sofisticação para cometer os furtos. “Até porque o retorno, quando há, é de somas vultosas”, frisa.

Mas, para ele, o trabalho policial tem sido eficiente para evitar que estratégias semelhantes sejam utilizadas por muitas vezes e por períodos prolongados de tempo. “Em Bauru, a última explosão a caixa eletrônico foi em 2010, quando os criminosos foram identificados e presos. Por este motivo, agora, estas quadrilhas buscam cidades onde há uma fragilidade maior no patrulhamento em razão do número menor de policiais nas ruas”, comenta.


Táticas vão do disfarce a pedradas

As técnicas utilizadas pelos criminosos são as mais variadas. Entre as que já “saíram de moda”, estão a depredação de vitrines de lojas de grife para furtar mercadorias e, entre as antigas, mais ainda utilizadas, fazer uso de disfarces para ludibriar moradores.

Exemplos são ladrões que, com uniformes e crachás falsos, se passam por carteiros dos Correios ou técnicos de empresas telefônicas e de energia elétrica. “O sujeito pede água para o morador e entra na sala para furtar objetos sem ser notado. É uma tática antiga, mas que ainda engana as pessoas, principalmente idosos”, revela o delegado titular do 1º Distrito Policial (DP), Dinair José da Silva.

Em sua avaliação, na maioria dos casos, os criminosos costumam observar os hábitos de vida de suas vítimas antes de agir. Quando seus alvos são frágeis, estão ausentes ou distraídos, colocam sua estratégia em prática.

“Por este motivo, a recomendação é sempre estar atento a qualquer movimentação estranha e sempre contar com a ajuda de vizinhos. Quando alguém bater à porta em nome de alguma empresa, o melhor é ligar para esta empresa e se certificar do que está acontecendo”, ensina.