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Quioshi Goto |
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Mesmo sem permissão dos motoristas, pessoas limpam vidros de automóveis |
A cena já se tornou mais do que comum. O veículo para no sinal vermelho e alguém se aproxima. Seja para lavar o vidro, vender algo ou somente pedir dinheiro, são pessoas que tentam ganhar a vida nos cruzamentos da cidade. Preocupada, a Polícia Militar (PM) irá mapear quem são esses indivíduos e montar, juntamente com o município, ofensiva para reverter o “medo do semáforo”.
Basta percorrer algumas das vias mais movimentadas da cidade para comprovar a situação. No cruzamento da Nações Unidas com a Rodrigues Alves, é só encostar o carro para que joguem água no vidro e, mesmo sem permissão, comecem o serviço de limpeza.
O mais preocupante é a extorsão que geralmente vem junto com a ação. “Há casos
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Éder Azevedo |
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O tenente-coronel Nelson Garcia Filho aponta que, além da extorsão, há o perigo de crimes e até atropelamentos |
em que a pessoa faz o serviço sem a autorização e exige que seja pago”, comenta o comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), tenente-coronel Nelson Garcia Filho.
Para evitar atitudes como essa, a PM começou um trabalho para mapear quem são as pessoas que ficam nos semáforos. “Estamos fazendo o levantamento de todos os pontos onde isso ocorre. Depois, iremos fotografar e identificar esses indivíduos”, afirma o comandante.
Ele explica que o mapeamento terá duas funções: primeiro, procurar pessoas que estejam em débito com a Justiça e, depois, fornecer o levantamento para o município traçar um plano contra essa prática.
Ontem, Garcia já se reuniu com o vereador Sandro Bussola (PT), presidente da Câmara Municipal. Ambos entendem que o problema é mais social do que propriamente criminal. “Além de identificar essas pessoas, acho que é uma questão de geração de trabalho”, aponta o parlamentar.
Ele, inclusive, irá mandar hoje um ofício solicitando reunião com as pastas do Bem-Estar Social (Sebes) e do Desenvolvimento Econômico para discutir possíveis soluções.
Darlene Tendolo, titular da Sebes, adianta que ações já estão sendo tomadas. “Fazemos buscas no horário noturno para coibir essa prática”.
Segurança
Além de uma possível extorsão, os “vendedores do semáforo” escondem outros perigos até maiores. “O bandido pode se passar por alguém que está vendendo algo no semáforo e se aproximar para praticar o crime”, alerta o tenente-coronel Nelson Garcia Filho.
A dica, segundo a PM, é evitar abrir o vidro, principalmente no período noturno. “De noite, o motorista deve controlar a velocidade e tentar chegar ao sinal quando ele já estiver aberto”, aconselha.
Contudo, os riscos estão em ambos os lados. O tenente-coronel explica que o aumento de pessoas nos semáforos, além de causar insegurança nos condutores, amplia a probabilidade de acidentes. “Como vem aumentando o número de pessoas nos semáforos, há um grande perigo de atropelamentos”, conclui o comandante do 4º BPM-I.
Crianças e adolescentes
Apesar do grande número de adultos que tentam ganhar a vida nos semáforos, ainda é comum ver crianças e adolescentes. A prática, contudo, tem uma atenção especial da polícia e do município.
“Verificamos se há algum adulto utilizando este adolescente. Se for comprovado, ele pode responder por isso”, aponta o tenente-coronel Nelson Garcia Filho.
Já a Sebes articula com o Conselho Tutelar maneiras de retirar essas pessoas das ruas. “Conseguimos bons resultados. O principal é conscientizar os pais de que o lugar dos filhos é na escola”, completa Darlene Tendolo.
Não pagou? Ameaça...
Vários motoristas já passaram por esta situação: ao recusar dar esmola ou pagar pelo serviço que não pediu, recebe uma ameaça. Ao sair do hospital com o braço quebrado, foi o que viveu um engenheiro agrônomo, de 65 anos.
“O carro parou no semáforo da Rio Branco com a Duque de Caxias. Um homem veio e jogou água e sabão no vidro. Quando pedi que ele parasse, ele ameaçou jogar o produto em mim”, relata o homem, que preferiu ter a identidade preservada.
A sua esposa, que dirigia o veículo, afirma que os segundos que se seguiram foram de medo. “Parecia uma eternidade. Fechamos o vidro e torcemos para que o sinal abrisse logo”, conta a professora, de 61 anos. Por sorte, ficou somente o susto.