08 de julho de 2026
Articulistas

Silêncio!

Valderez de Mello
| Tempo de leitura: 2 min

Silêncio! Homens da Terra! Alguém está chorando! Ouçam! Ele soluça sentido! Silêncio homens da Terra! É Deus quem está soluçando! De dor, de tristeza, de indignação! E quando fazemos chorar o Deus maior, o Pai Eterno Criador da vida, é sinal que é passada a hora de refletir: Que raça de monstros estamos nos tornando? O que estamos fazendo neste planeta que deveria ser o grande paraíso da humanidade? Qual o motivo em criarmos mentes enlouquecidas e inquietas, sem rumo certo, sem caminhos definidos ? Onde está o coração da humanidade? E Deus chora, procurando o amor ao próximo, que carinhosamente presenteou a humanidade. Percorre favelas, asilos, e vê o abandono abraçando tudo. Encontra a irresponsabilidade gargalhando das desgraças, a fome escancarando suas entranhas e o planeta Terra, que era azul e verde, aquecido pelo dourado do sol, doravante ocre, gris, tristemente agasalhado pela poluição, grande obra de arte dos humanos!

E Deus percorre o mundo, soluçando, procurando o coração da humanidade! Porém, encontra somente fartura de negligência dominando os irresponsáveis, crianças tristes sem infância, lares abandonados, impunidade banalizando crimes, valores essenciais, para a formação do homem, atirados no grande lixo do enganoso sistema educacional. Incrédulo, nosso Deus avistou o respeito e o amor ao próximo esquecidos nas profundezas do grande abismo da hipocrisia, encontrou inúmeros sorrisos trancafiados nas celas frias das tristezas, viu chocantes chacinas desumanas, enfim, estupefato, se deparou com a inadmissível, vergonhosa e quase a perder de vista, desvalorização da vida!

Deus percebeu que infelizmente havia acontecido um inquestionável engano Divino! Criou o homem para habitar e cuidar do paraíso e as mentes deturpadas pelas ofertas de Mefisto, fizeram causticante inferno do éden oferecido! E Deus, neste dia, arrependido, soluçou amargamente, por ter premiado os supostos homines sapientes com o dom da inteligência. Não souberam utilizá-la! Então, em sua infinita tristeza, percorreu os caminhos da alma da humanidade, ressequidos pela ausência da bondade, no mais completo abandono. Apenas O reconheceram, as aves, os animais, os lírios dos campos, o vento e os raios de sol, que o seguiram, mesmo sem saber para onde iam, apenas acreditando na segurança junto a Deus Pai, o Criador. Os humanos? Ainda bem que não O viram, por certo também O teriam crucificado! Silêncio! Homens da Terra! Alguém está chorando! Ouçam! Ele soluça sentido!

A autora, Valderez de Mello, é advogada, pedagoga, psicopedagoga, autora dos livros Lágrimas Brasileiras (2004) e Trama e Urdidura (2013) entre outros. valdemello@gmail.com