11 de julho de 2026
Geral

Ao menos nove fraturados estão na espera por cirurgia

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Álbum de família

Em Bauru, 9 pessoas, como Rodrigo Carvalho, estão na fila do Hospital de Base depois que equipamento quebrou

Após o acidente, a dor de uma fratura nem sempre é a pior consequência. Nove pessoas em Bauru estão na fila de espera por um procedimento cirúrgico. O problema é que, depois da quebra de um equipamento no Hospital de Base (HB), o encaminhamento para a cirurgia, que era feito dentro de apenas algumas horas, passou a demorar dias.

Por conta da questão, acidentados graves estão praticamente “internados” no Pronto-Socorro Central (PSC). O local, que deveria ser destinado apenas ao atendimento imediato, passou a ser usado, por necessidade, para que elas aguardem a liberação de uma vaga.

Até o fim da tarde de ontem, nove pacientes fraturados estavam nessa situação. Rodrigo da Silva Carvalho, 27 anos, é um deles. Ele sofreu um acidente de moto na avenida Duque de Caxias na manhã de terça-feira, onde fraturou o úmero.

“Ele ficou no corredor do PS até hoje (ontem). Depois, foi removido para a enfermaria. Ele precisa de uma cirurgia, mas fomos informados de que havia um equipamento quebrado no (Hospital de) Base. Então, ele acabou ficando por aqui mesmo”, conta Cleonice Vieira de Carvalho, 29, esposa de Rodrigo.

A família, que teme o agravamento da situação do autônomo por falta da cirurgia, afirma que foi solicitada uma vaga no Hospital Estadual (HE).

Até ontem, porém, ele ainda continuava a espera no PS.

E a situação dele nem é a mais demorada. A reportagem apurou que um dos pacientes está internado desde segunda-feira com uma fratura no aguardo de cirurgia. O próprio diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, confirma que a situação é atípica e preocupante.

“Em casos de fratura, a pessoa normalmente saía no mesmo dia. Agora é que está tudo parado lá. E é algo que preocupa. Eu sempre falo que o PS é um lugar para as pessoas passarem poucas horas”, alerta Sabbag.

A fila de espera seria por conta da quebra do aparelho de escopia (usado para exames de raio-x durante procedimentos cirúrgicos em alguns tipos de fratura) no HB. A assessoria de comunicação da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), gestora do hospital, confirmou o problema.


Resolvido?

O equipamento teria ficado desativado por uma semana. “No entanto, esse equipamento passou por reparos e ficou pronto hoje, sexta-feira, 1º de março, podendo voltar a ser utilizado normalmente”, apontou a assessoria, em nota.

Até o final da tarde de ontem, o PS, entretanto, afirmou que a situação não havia sido regularizada. À noite, no entanto, a Famesp confirmou que houve um erro na montagem e que o equipamento não voltou a funcionar conforme o esperado. A expectativa era de que o conserto fosse feito ainda ontem.

Outra divergência foi em relação à solução adotada durante esta semana. Segundo a Famesp, nenhum paciente deixou de ser atendido. “Todos os casos que necessitavam passar pelo exame de escopia foram encaminhados ao HE, onde o aparelho funciona normalmente”.

O caso de Rodrigo Carvalho confirma que nem todos os casos foram resolvidos dessa maneira. Questionada novamente, a Famesp confirma que o HE não tinha todas as vagas necessárias, o que gerou a fila de espera.

No fim da noite de ontem, a o Departamento Regional de Saúde (DRS-6) de Bauru, por meio da assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde, confirmou que Rodrigo Carvalho finalmente conseguiu a vaga no HB.


Prioridade

A Secretaria de Estado da Saúde afirma que existe uma prioridade na hora de disponibilizar vagas. “Dentro do processo de regulação de vagas, as unidades hospitalares priorizam o encaminhamento de pacientes mais graves, quando há risco iminente de morte. Trata-se de um processo comum tanto aos hospitais públicos quanto aos particulares”.

Na mesma nota, ainda critica a postura do município em não fortalecer a rede de saúde. “Bauru optou por não construir hospitais para atender sua população. Tampouco contrata leitos de internação em hospitais privados para reforçar a assistência à população, conforme outras cidades paulistas já realizam, a exemplo de Santos, Sorocaba e Ribeirão Preto”.


Mais problemas

Além do aparelho que ficou inoperante esta semana, o HB tem outros dois equipamentos de escopia. Todavia, conforme confirma a própria Famesp, eles também estão quebrados.

“A direção do Hospital de Base já providenciou a locação de mais um aparelho de escopia e tem outros dois em processo de manutenção, que deverão entrar em funcionamento em breve”, aponta a assessoria da fundação, em nota emitida ontem pela assessoria de comunicação.