11 de julho de 2026
Nacional

Tucanos paulistas apelam a FHC para evitar o ?controle? de Aécio

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Com receio de que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) tenha controle total sobre a máquina partidária a partir da convenção nacional do PSDB, em maio, aliados do ex-governador José Serra pediram ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que convença o mineiro a ceder o segundo posto na hierarquia do partido a alguém indicado pelos tucanos de São Paulo.

Aécio deve assumir a presidência do PSDB neste ano, num movimento cujo objetivo é ampliar sua exposição como potencial candidato à Presidência da República nas eleições de 2014. Como presidente do partido, o tucano será a principal estrela da propaganda tucana na televisão.

Em junho, a sigla terá direito a um programa de 10 minutos em horário nobre. Além disso, o partido terá 40 anúncios nos intervalos da programação entre maio e junho.

Como há consenso de que ninguém terá força para conter o senador mineiro caso ele queira a chefia da sigla, o PSDB de São Paulo passou a reivindicar o controle da secretaria-geral da legenda.

Fernando Henrique foi procurado pelo senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), que tem trabalhado para facilitar o diálogo entre Aécio e Serra, que travam há anos uma disputa interna de poder na sigla.

Aliados do mineiro afirmam que, caso Aécio decida ser presidente do PSDB, “faria sentido” a “ala paulista” indicar o secretário-geral. Eles destacam, no entanto, que o principal quadro a ser consultado sobre o assunto não é Serra, mas o governador Geraldo Alckmin, que assumiu o cargo depois dele.

Alckmin tem se mostrado afinado com Serra nas articulações internas. Na semana passada, quando Aécio foi lançado como candidato por Fernando Henrique num evento em Belo Horizonte, Alckmin evitou endossar publicamente a indicação e afirmou que considera prematuro debater o assunto agora.

Há dúvidas, no entanto, se o governador e Serra serão capazes de chegar a um entendimento sobre o nome para a secretaria-geral do partido.

Alinhado a Alckmin, o  deputado federal Duarte Nogueira (PSDB-SP) tem sido apresentado como opção para a composição da nova cúpula da sigla, mas Serra ainda não teria se manifestado sobre a indicação. Diante da indefinição em São Paulo, o nome do deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), tem ganhado força nos bastidores.


Alckmin discreto

Alckmin tem se mostrado um parceiro da União mais frequente que seu antecessor, José Serra (PSDB). Desde que os petistas assumiram a Presidência da República, em 2003, a participação do Estado nos convênios com o governo federal despencou. No fim da gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o governo paulista recebeu 20,3% do valor distribuído aos Estados em convênios. Em 2010, último ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Serra conseguiu captar apenas 6,3% desse bolo.Alckmin retomou parcerias: no governo Dilma, São Paulo elevou para 9,2% sua participação do volume distribuído. Segundo aliados, investimentos conjuntos serão apresentados como trunfo do governador na campanha pela reeleição.

A postura de Alckmin diante da popularidade de Dilma e dos bilhões de reais prometidos pelo governo federal é tão amigável que seus auxiliares diretos já admitem que o embate entre PSDB e PT em São Paulo na próxima eleição pode ser suave.

Reservadamente, tucanos acreditam que as urnas serão abertas com uma proporção significativa de votos “Dilmin” - Dilma para presidente e Alckmin para governador. O apelido é uma adaptação dos fenômenos mineiros “Lulécio” (Lula para presidente e Aécio para governador, em 2006) e “Dilmasia” (Dilma para presidente e o tucano Antonio Anastasia para governador, em 2010).