08 de julho de 2026
Geral

Mosquitos ?infestam? fone da Saúde

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Quioshi Goto

Somente nos dois primeiros meses deste ano, 600 queixas se acumularam, a maioria por infestação em piscinas

A cada dia, a Secretaria Municipal de Saúde recebe cerca de 10 reclamações por infestação de mosquitos nos mais diversos bairros de Bauru. Apenas nos dois primeiros meses do ano, foram cerca de 600 queixas, principalmente por conta da presença do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue.

Nesta época do ano, o vetor prolifera-se com facilidade devido à quantidade de chuvas e calor e também pela grande presença de criadouros nas residências. Os bairros mais atingidos, de acordo com a secretaria, estão localizados na região sudoeste da cidade.

Responsáveis por metade dos casos registrados na cidade, estão a Vila Independência, Vila Nipônica, Jardim Ferraz, Jardim Ouro Verde, Vila São João do Ipiranga, Jardim Vitória e áreas adjacentes. Até a última sexta-feira, o município contabilizava 786 casos de dengue em 2013, sendo 780 autóctones e seis importados.

A epidemia já atingiu dois a cada 100 habitantes desde o início do ano. Em 2012, foram apenas 44 casos de dengue, sendo 38 contraídos no município e seis importados. O Parque Vista Alegre está entre os que registram menor incidência de dengue, mas mesmo assim, já fez pelo menos duas vítimas nas últimas semanas.

Uma pedagoga de 42 anos e seu vizinho foram infectados e ainda se recuperam da doença. De acordo com ela, nas imediações, o local que provavelmente serviu de criadouro para o Aedes aegypti é a piscina de uma residência desocupada localizada na quadra 1 da rua Carmo Teodoro da Silva.

“A casa está vazia desde o início do ano e a piscina está descoberta, sem receber manutenção nenhuma. É possível ver as larvas do mosquito dentro da água da chuva acumulada, que já está até verde”, reclama a mulher, que preferiu ter a identidade preservada. O dono do imóvel não foi localizado pela reportagem.

Autuações

A Secretaria Municipal de Saúde informa que pode autuar proprietários de residências e terrenos irregulares. As queixas que chegam à pasta são, em grande parte, relacionadas a casas com piscinas mal conservadas, além de lotes sem manutenção e depósitos de lixo reciclável.

Por este motivo, a prefeitura solicita para que a população providencie não apenas a vedação de piscinas e capinação dos terrenos, mas também a retirada de todo o lixo ou entulhos, já que as larvas do mosquito transmissor da dengue se proliferam em qualquer tipo de recipiente que possa armazenar o mínimo de água possível, desde qualquer tampinha até garrafas pets, latas e baldes.

Outra orientação é inspecionar, ao menos uma vez por semana, o interior da casa. O recomendado é retirar pratos de vaso, plantas aquáticas e bromélias, vedar caixas d’água e ralos externos, limpar calhas e a bandeja de geladeira que acumula água. Outra dica é optar por repelentes em vez de inseticidas, que causam riscos à saúde.

A secretaria informa que prossegue o trabalho de nebulização coordenado pela Secretaria da Saúde do Estado, através da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), em parceria com o Departamento de Saúde Coletiva do município. Nas últimas semanas, servidores têm percorrido os bairros da cidade, equipados com termonebulizadores costais, para aplicar inseticida nas residências com o objetivo de eliminar o Aedes aegypti na fase adulta, interrompendo, assim, o ciclo de transmissão da doença.

Medo e prevenção

Moradora do Parque Vista Alegre, a pedagoga de 42 anos diagnosticada com dengue conta que vive preocupada com a possibilidade de o único filho, que sofre com problemas respiratórios, também contrair a doença. Ela se mudou para o bairro no ano passado para cuidar da mãe, que também foi infectada pelo mosquito Aedes aegypti.

“Neste ano, fui eu que fiquei doente. Espero que não aconteça nada com meu filho”, revela, apreensiva, lembrando que perto de sua casa há um imóvel desocupado com piscina sem nenhuma manutenção.

“Dentro de casa, tomo todos os cuidados. Como não posso usar inseticida por causa do meu filho, borrifo citronela com álcool em todos os cômodos, além de manter ralos e vasos sanitários sempre com água sanitária e cloro. Mas a vizinhança precisa fazer a sua parte”, reclama.

Regiões de maior incidência de dengue (por volume de casos confirmados)

51,2% - Vilas Independência, Nipônica, Vila São João do Ipiranga, jardins Ferraz, Ouro Verde, Vitória e adjacências

16,9% - Vilas Paraíso, Industrial, Alto Paraíso, Celina, Parque Viaduto e adjacências

14,3% - Núcleos habitacionais Mary Dota e Beija-Flor, Jardim Araruna e adjacências

3,3% - Altos da Cidade

2,3% - Parques Vista Alegre e São Geraldo