10 de julho de 2026
Geral

Uso do cartão cresce e cai número de consumidores que limpam nome

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A popularização do uso do cartão de crédito e o alto endividamento dos consumidores vêm reduzindo, ano a ano, o número de nomes retirados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Em Bauru, o volume de pessoas que conseguiu limpar o nome é o menor dos últimos cinco anos, conforme dados divulgados pelo órgão.

No ano passado, 14.552 consumidores conseguiram quitar suas dívidas e voltar a ter o nome limpo, ante a 21.237 pessoas em 2008, uma queda de 31,3%. Embora o total de pessoas que ficaram com o nome “sujo” também tenha caído, a variação ocorreu em menor proporção.

Em 2008, foram 32.193 consumidores incluídos no SPC, ante a 25.112 pessoas em 2012, uma redução de apenas 22%. Os números, no entanto, não indicam que os bauruenses estejam menos endividados, conforme alerta o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Alceu Camargo.

“Esta redução é reflexo do crescimento do uso do cartão de crédito. Como são as operadoras que negativam os devedores, e não os lojistas, o processo ocorre todo em São Paulo. Não é um dado computado pelo SPC de Bauru”, argumenta.

São incluídos no órgão local apenas os clientes que deixam de honrar com dívidas contraídas por meio de crediário, cheque ou boleto bancário, por exemplo. “São modalidades cada vez menos utilizadas. Hoje, o cartão já responde por 70% das vendas no comércio”, cita.

Camargo explica que não é possível saber quantos são os inadimplentes bauruenses negativados, na Capital, pelas empresas de cartão de crédito. Mas destaca que o endividamento é alto e já está sendo sentido pelo comércio local. 


“Ressaca”

Depois da euforia provocada por um longo período de farto acesso ao crédito, com juros baixos e longos prazos de pagamento, os consumidores, cheios de conta para pagar, tiveram de frear o ritmo de compras para saldar seus débitos. De acordo com os lojistas, o volume de vendas no início do ano foi 10% menor do que o mesmo período do ano passado.

A desaceleração provocada, principalmente, pelo endividamento de longo prazo. Ao incluir nas despesas fixas as parcelas a perder de vista do novo imóvel ou veículo, o consumidor percebeu que não poderia continuar comprando como antes.

Para tentar combater esta “ressaca”, os comerciantes lançam mão de diversas estratégias, que passam por liquidações com descontos e facilidades de pagamento. Em uma loja de confecções do Calçadão da Batista de Carvalho, voltada para o público de classes B e C, as promoções já perduram por um mês.

“Desde o início de fevereiro, estamos oferecendo descontos de 30% a 40% e conseguimos manter as vendas. Mas o pagamento, na grande maioria das vezes, é feito com cartão de crédito ou por crediário”, destaca a gerente Manuela Warmling.


Exceção

Exceções à regra, as amigas Vanessa Aparecida Rosa de Almeida, 26 anos, e Sonja do Amaral Godinho, 34 anos, dizem que preferem pagar compras à vista. Depois de terem os nomes negativados, afirmam que aprenderam a lição para nunca mais ficar inadimplente por muito tempo.

“Às vezes, uma ou outra conta atrasa, mas dou um jeito de pagar no mês seguinte, corto gastos ou até deixo de pagar outra conta, mas nunca mais meu nome foi parar no SPC”, frisa a dona de casa Sonja.

A manicure Vanessa também afirma que, de vez em quanto, extrapola o orçamento e, sempre que isso acontece, resolve trabalhar mais para não ficar no vermelho. “Faço bicos, lavo roupa ou faço mais unhas, mas não fico devendo para ninguém”, ensina.