08 de julho de 2026
Nacional

Delegada diz que Eliza morreu asfixiada

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Pedro Vilela/Reuters

Bruno, que virou evangélico na prisão, ficou lendo a Bíblia

Sem a testemunha-chave nem testemunhas de defesa, o julgamento do goleiro Bruno Fernandes Souza, 28 anos, começou ontem marcado pela fala da delegada que ouviu um primo do ex-jogador na época do desaparecimento de Eliza Samudio.

A delegada Ana Maria Santos, sabatinada por mais de cinco horas, relatou momentos que antecederam a morte da ex-amante do goleiro, segundo o que ouviu do então adolescente João Luiz Rosa, hoje com 19 anos.

O promotor do caso, Henry Wagner, disse que o primo de Bruno não deveria comparecer para depor, sem dar mais explicações. “Ele não vem”, afirmou, sem esclarecer se vê prejuízo para a acusação na ausência dele.

Foi o depoimento dele que revelou o caso, em 2010. Jorge cumpriu medida socioeducativa por participação. Arrolado tanto pela acusação como pela defesa, não apareceu ontem no Tribunal do Júri de Contagem (MG).

A defesa abriu mão de todas as suas testemunhas e disse que apostará no debate. Os defensores questionaram a delegada sobre supostas omissões e falhas na investigação. Um desses pontos foi a ausência do ex-policial José Laureano de Assis Filho, o Zezé, na lista de indiciados.

Foram desprezadas dezenas de mensagens trocadas por Zezé com os principais suspeitos do crime. A delegada disse que não tinha elementos para indiciá-lo.

Outra estratégia foi levantar questões técnicas para tentar anular o júri. Uma delas é haver investigação policial sobre o caso mesmo com o julgamento em curso.

Bruno ficou quase todo o tempo de cabeça baixa, com os cotovelos sobre as pernas e olhos fixados para os pés.

Quando cinegrafistas e fotógrafos tiveram acesso ao plenário, o goleiro permaneceu no plenário e deixou-se fotografar. Nesse momento, pareceu chorar e mostrou uma Bíblia - ele virou evangélico na prisão, diz a defesa.


Asfixia

As cenas contadas pela delegada se passam na casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, também réu no processo. Segundo ela, Jorge disse que Bola pediu para Eliza ficar de costas para asfixiá-la. “Ele (Bola) passou o braço direito embaixo do queixo e começou a apertar o pescoço dela”, disse.

Em seu sítio, Bruno teria tomado conhecimento de como tudo se deu e ajudado a queimar uma mala de Eliza.

Segundo a delegada, Jorge ficou emocionado ao depor. “Em um momento, ele segurou nas minhas mãos. Percebi que estava sendo sincero.”

O advogado de Bruno, Lúcio Adolfo, disse que Jorge, por morar no Rio, não teria a obrigação de comparecer.