09 de julho de 2026
Bairros

Protesto contra morte de Tibiano gera tumulto

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

O que era para ser uma manifestação com pedidos de justiça se tornou em tumulto ontem, no Jardim Redentor. O protesto contra a morte de Vinícius Henrique da Silva, 18 anos, foi marcado pela abordagem da Polícia Militar (PM) a dois manifestantes após uma denúncia anônima de tráfico de drogas. Nada foi encontrado com eles, mas os ânimos se exaltaram.

Conhecido por Tibiano, o jovem foi morto pela PM no dia 30 de janeiro. Desde então, a polícia alega legítima defesa, enquanto amigos e familiares falam em execução.

Ontem, foi realizada uma manifestação de amigos e familiares de Tibiano, na rua São Matheus, onde ele morreu. Cerca de 50 pessoas estavam lá, com cartazes e camisetas com a fotografia do jovem estampada.

Participaram ainda da manifestação as comissões municipais dos Direitos Humanos, da Verdade e do Direito da Criança e do Adolescente. Contudo, o clima de reivindicação se tornou tenso quando a PM abordou dois dos manifestantes.

Conforme a reportagem apurou, a abordagem foi realizada após uma denúncia anônima de que eles estavam traficando no local, que é próximo a uma escola. Na revista, nada foi encontrado.

A ação, porém, iniciou um tumulto que durou cerca de meia hora. “Viemos pedir justiça, mas nos sentimos acuados por conta da presença dos policiais”, disse uma jovem, que pediu para ter a identidade preservada.

Em meio à confusão, os próprios policiais cogitaram que a denúncia foi “armada” somente para que a PM fosse até o local e o tumulto começasse. Em poucos minutos, foram solicitados reforços e cinco viaturas chegaram.

Em nenhum momento a reportagem presenciou qualquer agressão entre a polícia e os manifestantes. O protesto, cuja maior parte foi tomada pelo tumulto, durou aproximadamente uma hora. Ninguém foi preso.


Comissões

A presença de representantes de diversas comissões municipais certamente impediu que a confusão ganhasse proporções maiores. “Há muitas lacunas e versões circulando. O fato é que um jovem morreu nas mãos de um agente do Estado e isso precisa ser apurado. Nossa função lá foi de orientar os manifestantes a procurarem os órgãos que podem oferecer algum suporte”, aponta Juliana Pasqualini, membro do Conselho Municipal Do Direito da Criança e do Adolescente.

A Comissão da Verdade também foi para verificar o desenrolar da manifestação. “Há relatos de que a polícia trata pessoas de áreas ricas com extrema polidez e que isso não é assim em áreas mais pobres. Foi isso que fomos verificar”, relata Carlos Roberto Pitolli, coordenador da comissão e que interferiu diretamente para amenizar a confusão.

Tanto ele quanto Clodoaldo Meneguelo, membro da Comissão Municipal de Direitos Humanos, também destacam a importância de garantias para as testemunhas. “Nós iremos estudar a possibilidade de as testemunhas serem ouvidas e o relato ser encaminhado aos órgãos competentes. Temos advogados que podem dar esse suporte”, finaliza Meneguelo.

Além das comissões, Edite Lourenço, a mãe do mecânico Jorge Luiz Lourenço, também esteve presente. Jorginho morreu em 2007 com um tiro disparado por um PM. O caso está hoje na Justiça.

Sobre o caso Tibiano, o inquérito policial militar segue em andamento e está na coleta de provas e oitivas.