Pelo que temos observado, volta à baila a discussão sobre a sede do Legislativo Municipal. Não é novidade que o prédio atual está em petição de miséria. Deteriorado, trincado, inadequado com múltiplas infiltrações a comprometer seriamente as estruturas, há realmente necessidade de uma solução para que os funcionários e vereadores sejam melhor acomodados, além, evidentemente dos usuários que precisam ser recebidos em cômodos mais apropriados. Ora, é evidente que a aquisição do prédio das estações NOB, Sorocabana e Paulista, foi de muito bom alvitre para a recuperação e o progresso daquela região que será revitalizada e melhorada.
Agora, voltam a comentar a necessária mudança das arcaicas e ultrapassadas instalações da Câmara Municipal. É o que os nossos edis estão propensos a engendrar. Observe-se que a pretensa reforma do prédio da Praça (?) D. Pedro II, para que o legislativo lá continue só pode vir de cabeças insensatas, diga-se. Afinal os gastos seriam enormes sem solucionar os graves problemas de espaços, além da deplorável visão arquitetônica do atual próprio do legislativo.
Construir-se um novo prédio e despender provavelmente 6 milhões de reais, segundo Sandro Bussola, diligente presidente da Câmara Municipal, em entrevista ao eminente jornalista Thiago Navarro do JC, além de temerário é impróprio para um município com falta de infra-estrutura, com descuidos sérios na saúde e em outras áreas que carecem de numerário para sanar os seus graves problemas. E, esse valor será certamente duplicado para azar dos munícipes.
Portanto, não é recomendável essa aventura de gastos tão elevados numa cidade tão carente de recursos para minimizar as suas mazelas sociais, apontadas diariamente pelo Jornal da Cidade, mas, uma coisa é certa: mudar a Câmara Municipal para a estação, juntamente com algumas secretarias do município seria medida afoita E, alguns prédios evidenciados recentemente, caso do INSS e do atual fórum, também estariam descartados.
Por isso, o conjunto arquitetônico da Machado de Melo, ainda não reformado, é vetusto, bonito, pomposo, com muito espaço, de linhas majestosas que serviriam grandemente para acomodar a sede da nossa urbe. Ali o Paço Municipal representaria muito bem o arrojo da cidade e do seu povo trabalhador, além de dar ênfase histórica às ferrovias que durante tanto tempo foram o nosso sustentáculo econômico e financeiro. Por outro lado, o prédio onde se acanha a Prefeitura, poderia acolher a Câmara Municipal, independente, com espaço e instalações adequadas ao seu fim. O prédio da Câmara atual, por sua vez, poderia servir de museu para receber a história do legislativo e do próprio município que não tem lugar amplo para acolher o acervo do seu passado. Afinal, povo sem história é um povo sem memória, já diz o velho ditado.
Sendo assim, reforme-se a estação para que a prefeitura possa mudar-se; reforme-se a sede da prefeitura para que a Câmara mude o seu endereço e reforme-se, finalmente, o prédio da Câmara para lá instalar-se o museu da cidade. Com isso os nomes do prefeito e do presidente da Câmara estariam gravados para sempre
A respeito alguns vereadores com os quais já tivemos oportunidade de conversar acharam a proposta viável, mesmo porque a economia no bolso dos bauruenses que pagam os impostos seria muito grande e tanto o Executivo como o Legislativo, ficariam no centro da cidade, muito bem instaladas, junto ao povo que utiliza os seus serviços. Qualquer outro local obrigaria os munícipes a despesas com locomoção. Chega de jogar dinheiro público pelo ralo. É preciso economizar e esta é uma solução que não pesará tanto no bolso dos contribuintes. É só pôr mãos à obra. Com a palavra o nosso prefeito e os nobres vereadores. A ideia está lançada.
O autor, Abel Fernando Marques Abreu, é jornalista, delegado de polícia aposentado e colaborador de Opinião