08 de julho de 2026
Cultura

Chorão em silêncio

Da Redação com Agências
| Tempo de leitura: 3 min

Reprodução

Líder do grupo Charlie Brown Jr., morto aos 42 anos,

era o único da formação original

O vocalista da banda Charlie Brown Jr., Alexandre Magno Abrão, 42, conhecido como Chorão, foi encontrado morto no fim da madrugada de ontem em seu apartamento em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O caso repercutiu durante todo o dia.

Chorão nasceu em São Paulo, mas se mudou para Santos (litoral de São Paulo), onde fundou a banda na década de 1990. Ele era o único integrante que permaneceu na banda em todas as fases desde a fundação.

Em 2009, a banda ganhou o prêmio Grammy Latino com o álbum “Camisa 10 joga bola até na Chuva”.

Uma das músicas mais conhecidas da banda é “Proibida para mim”, composta pelo cantor Chorão para uma namorada. A música também foi gravada por  Zeca Baleiro. O cantor também mantinha o Chorão Skate Park em Santos, uma pista de skate indoor frequentada por praticantes de skate iniciantes, amadores e profissionais.

Em Bauru, chegou a estar com skatistas quando ficou na cidade para shows após “driblar” a imprensa no hotel onde se hospedou há cerca de oito anos.

Cinema

O cantor também se aventurou no cinema e escreveu o polêmico roteiro do filme “O Magnata” (2007), dirigido pelo cineasta Johnny Araújo, que conta a história de um playboy revoltado e ídolo de uma banda de punk rock. “É um nicho para a juventude que todo mundo tem medo de explorar”, comentou o diretor do filme na época, em tom de elogio a Chorão.


Indícios

A polícia encontrou “pequena quantidade de substância branca, aparentando ser cocaína, sobre a bancada da cozinha” do apartamento de Chorão – que era pai de um rapaz de 23 anos e estava recém-separado da mulher e em depressão.  Havia, ainda, “por todo o apartamento, latas de cerveja, energético, garrafas de vinho etc”, de acordo com o boletim de ocorrência registrado na 14º DP, de Pinheiros. O documento detalha, ainda, que “o apartamento não tinha o mínimo de condições para moradia”, por “falta de higiene” e “ausência de móveis”. A cobertura fica na rua Morás, em Pinheiros (zona oeste de SP).

A polícia encontrou o apartamento todo revirado e com manchas de sangue. As autoridades, porém, dizem acreditar que o cantor não tenha sido assassinado.

Psicótico

O delegado do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), Itagiba Franco, acrescentou: “Chorão sempre teve quadro psicótico de perseguição e quando ele deixou de atender ao telefone, já estava morto”, continuou, sobre o fato do músico não ter respondido às tentativas de contato de familiares, amigos e seguranças


‘Ele estava só e queria reencontrar o pai’

A apresentadora Sônia Abrão, prima de Chorão, disse que ele andava depressivo e não se conformava com o fim do relacionamento com a mulher, ocorrido há cerca de seis meses.

Ela contou que o primo chegou a dizer que não aguentava mais viver sozinho. Sônia foi até o apartamento do cantor da banda Charlie Brown Jr. assim que soube da morte dele. “Na semana passada, ele falou para o irmão que a vida estava pesada, difícil e que queria reencontrar o pai deles, que já morreu”, conta Sônia.

A apresentadora, no entanto, diz que não acredita que ele tenha se matado. “Pode ter havido uma perda de controle”, acredita.

 

Despedida


O sepultamento do cantor Chorão, do Charlie Brown Jr., acontecerá às 15h de hoje no Memorial Necrópole Ecumênica, em Santos. O velório começou durante a tarde, na Arena Santos, um ginásio poliesportivo da prefeitura de Santos, segundo o coordenador do local, Gustavo Bittencourt Amorim. Na noite de ontem foi aberto ao público em geral. O Santos chegou a colocar a Vila Belmiro à disposição da família do músico. Segundo a assessoria do time, a família de Chorão agradeceu e recusou a oferta.