O Brasil é o país com mais mortes por tiro, dentre os 12 mais populosos do mundo (36.792 homicídios por arma de fogo em 2010, contra 17.561 do segundo colocado, o México, também em 2010).
No quesito violência por armas de fogo, o país do “homem cordial” bate tanto em termos relativos quanto em números absolutos gigantes populacionais como a China e a Índia. Os dados constam do “Mapa da violência 2013”, que analisa dados do Ministério da Saúde referentes a 2010.
Com base nos mesmos dados, já se produziram estudos publicados no ano passado, sobre a violência que atinge jovens e negros, por exemplo.
De acordo com o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da pesquisa, a média nacional está em 19 mortes por arma de fogo a cada 100 mil habitantes.
Mas diversas unidades da federação ultrapassam a casa dos 30 óbitos por tiro, como Espirito Santo, Bahia, Paraíba e Pernambuco. Em Alagoas, a media é quase o dobro da nacional: 55,3.
Quatro municípios superam a marca dos 100 óbitos por arma de fogo em cada 100 mil habitantes.
Dois ficam na Bahia: Simões Filho e Lauro de Freitas. Os outros dois encontram-se no Paraná (Campina Grande do Sul e Guaíra). Os Estados com menores taxas de mortes por armas de fogo, menos de 10 por 100 mil habitantes, são São Paulo, Santa Catarina, Piauí e Roraima.
Waiselfisz atribui o alto índice de mortes na média nacional a três fatores: a facilidade de acesso às armas de fogo, a cultura da violência - “muita gente considera normal resolver na base do tiro os conflitos interpessoais” - e os elevados níveis de impunidade vigentes.
Segundo ele, o arsenal de armas de fogo nas mãos da população é estimado em 15,3 milhões (6,8 milhões registradas e 8,5 não registradas), comprovando a facilidade e o descontrole no acesso a elas.