08 de julho de 2026
Bairros

Homicídio gera comoção em bairro

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

“Mãe, tenha muita esperança em seu coração”. Era com essas palavras que Adriana de Souza Moura, 41 anos, confortava a mãe, Teresa Lourenço, 60 anos, ultimamente. Fazia 15 dias que o irmão, Salvador de Souza Filho, 40 anos, usuário de crack, não voltava para a casa onde morava com a mãe. Ontem pela manhã, ele foi visto por alguns moradores do bairro levando sua enxada nas mãos. No entanto, por volta das 12h45, foi encontrado morto, com um tiro na cabeça, na quadra 10 da rua Itacuruçá, no Parque Viaduto. Muito conhecido por ser um homem simples e carismático, sua morte gerou comoção em todo bairro. Esse é o 11º homicídio registrado neste ano em Bauru. (leia mais abaixo)

Uma denúncia anônima feita ao telefone 190 do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) de Bauru indicava que um homem fora encontrado já sem vida na rua de terra. Chegando ao local avistaram a vítima, que tinha o apelido de Torrão.

Apesar da grande quantidade de sangue encontrada na cabeça do homem, era possível notar uma perfuração do lado direito do crânio, possivelmente feita por um projétil. Populares informaram à PM que ouviram um estampido por volta das 11h30. No entanto, a rigidez cadavérica aponta que o crime ocorrera mais cedo.

De acordo com o delegado Cledson Luiz do Nascimento, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, a vítima não possuía antecedentes criminais, mas era usuária de drogas. “A linha que vamos seguir é essa, a de que ele era usuário de drogas. As pessoas dizem que ele era uma pessoa tranquila, então vamos começar a investigação do zero”, disse.

No boletim de ocorrência (BO), consta que a ex-mulher de Salvador, Márcia Silva de Oliveira, afirmou à polícia que a vítima estaria recebendo ameaças de morte nos últimos dias.

Tristeza

A morte de Torrão gerou comoção no Parque Viaduto ontem. A ex-esposa da vítima, que preferiu não falar com a reportagem, sentiu-se mal ao reconhecer o corpo e precisou de atendimento médico. Ao saberem da notícia, moradores do bairro começaram a se aglomerar próximo ao local onde o homem foi encontrado.

Emocionada, Alzira Gonzaga, 80 anos, disse não acreditar na morte de Salvador. “Ele era uma boa pessoa, trabalhava capinando os quintais para conseguir dinheiro. Nunca brigou com ninguém, conversava com todos. Muitas vezes ele capinou o meu terreno. Às vezes ficava até 19h trabalhando”, contou a moradora do bairro, com lágrimas nos olhos.

O funcionário de uma obra localizada a alguns metros do local do crime, que pediu sigilo de seu nome, contou que ainda avistou Torrão na manhã de ontem. “Eu o vi hoje, por volta das 10h. Estava passando por aqui mesmo, com a sua enxada nas mãos. Passou, me cumprimentou e seguiu. Estou muito triste. Todos aqui o conheciam”, disse.

Teresa Lourenço, 60 anos, mãe da vítima, chegou ao local do crime por volta das 16h da tarde de ontem, depois da perícia técnica. Consternada, ela precisou ser amparada por familiares e chegou a desmaiar.

“Eu pedia para a minha mãe não deixar de ter esperança, mas fazia uns 15 dias que ele não voltava para a casa dela, onde morava atualmente. É uma realidade muito triste porque nós lutamos, oramos muito. Eu levava a foto dele sempre comigo dentro da Bíblia, mas não teve jeito, o crack foi mais forte. Eu esperava ele voltar para casa todos os dias, agora sei que ele não vai voltar mais. Parece que estou tendo um pesadelo”, disse a irmã Adriana de Souza Moura.


11º homicídio

De acordo com um levantamento extraoficial realizado pelo JC, esse é o 11º homicídio registrado somente neste ano em Bauru. No ano passado, de acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP), esse ranking foi de sete mortes até o fim do mês de março.

O último caso neste ano havia sido a morte de uma jovem de 21 anos, baleada na cabeça. O crime ocorrera na noite do último sábado, no Jardim Carolina em Bauru. Ana Paula Ferreira, 21 anos chegou a ficar internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base (HB), mas mão resistiu ao ferimento e morreu na última segunda-feira.

O acusado pelo crime, D.E.S., 25 anos, (apenas iniciais foram divulgadas), foi preso em sua residência, localizada na Quinta da Bela Olinda, no mesmo dia da morte da vítima.