|
Malavolta Jr. |
|
|
|
Aos 83 anos, Izabel Medina tem vida ativa e autônoma, e canta ao lado da regente do Coral Encanto, Magda Bruschi |
Em dois anos, Bauru conseguiu melhorar seus indicadores sociais e econômicos, o que o colocou, mais uma vez, entre os municípios mais bem posicionados no Índice Paulista de Responsabilidade Social (IPRS). O levantamento foi divulgado ontem pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.
Os dados são de 2010, comparativos ao ano de 2008. A cidade obteve avanço nos três quesitos considerados - riqueza, longevidade e escolaridade –, o que lhe garantiu um lugar no grupo 1, o mais qualificado, onde figuram outras 77 localidades paulistas, das 645 pesquisadas.
No item longevidade, Bauru está acima da média estadual, com escore que subiu de 70 para 73, numa escala de vai de 0 a 100. O principal fator para o resultado foi a queda na taxa de mortalidade infantil no município, que, em dois anos, caiu de 12 para 10,4 óbitos por mil nascidos vivos. Já as taxas de mortalidade para moradores acima de 15 anos se mantiveram estáveis.
No índice de escolaridade, outro bom resultado também deixou Bauru acima da média do Estado. Entre 2008 e 2010, o escore aumentou de 47 para 55, com crescimento nas taxas de atendimento escolar (87,6% para 89,8%) e de alunos do ensino fundamental que atingiram notas adequadas nas provas de português e matemática (31,9% para 43,5% no 5º ano e 16,9% para 24,9% no 9º ano).
Houve ainda redução no percentual de alunos do ensino médio com atraso escolar (12,7% para 11,9%). Para a professora Mara Sueli Simão Moraes, do departamento de matemática da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a melhoria na qualidade de ensino e da capacidade de aprendizado dos alunos foram conquistadas com uma série de políticas públicas implementadas nos últimos anos no País.
“Entre 2008 e 2009, por exemplo, professores de Bauru de matemática participaram do Pró-Letramento, que é um programa de formação continuada. Em 2011, foi a vez dos professores de língua portuguesa. Os resultados são visíveis”, comenta ela, que é uma das coordenadoras do programa e também professora de pós-graduação da Unesp em Educação para Ciência.
Riquezas
Já no quesito riqueza, a cidade permaneceu com índices abaixo da média estadual, com escore oscilando de 38 para 41 entre 2008 e 2010. Mesmo que não seja motivo de comemoração, a variação positiva é reflexo, entre outros motivos, do aumento do rendimento médio dos trabalhadores com carteira assinada e do valor adicionado per capita.
Este último refere-se ao preço total das mercadorias que saem do município, acrescido do valor das prestações de serviços no seu território, deduzido o valor das mercadorias que entram na cidade, a cada ano, dividido pelo número de habitantes. Em dois anos, este montante variou de R$ 9.936,00 para R$ 11.219,00. Já os salários cresceram de R$ 1.507,00 para R$ 1.572,00.
Para o economista Mauro Galllo, o desempenho abaixo da média, embora ascendente, já era esperado. “A cidade continua crescendo, mas mantém sua atividade econômica muito centrada em serviços e comércio, que geram menos riqueza e pagam salários menores. Seguramente, municípios mais industrializados tiveram resultados melhores neste quesito”, comenta.
Idosos bauruenses vivem mais e melhor
Acompanhando um movimento mundial, os bauruenses estão vivendo cada vez mais e as taxas de mortalidade infantil, caindo ano a ano. O fenômeno pode ser explicado por uma série de fatores. Entre eles, está a evolução da medicina tanto em diagnóstico quanto em terapêutica e também a mudança no estilo de vida das pessoas, com a adoção de atividades físicas e hábitos alimentares mais saudáveis.
Foi esta transformação que permitiu que a pensionista Izabel de Oliveira Medina chegasse aos 83 anos com uma rotina de vida completamente autônoma. Além de cantar em coral, ao longo dos últimos 20 anos ela já estudou literatura, espanhol, francês e desenho na Universidade Aberta à Terceira Idade, vinculada à Universidade Sagrado Coração (USC).
Fora as atividades em grupo, ela tem outra grande paixão: colocar as mãos no volante e o pé na estrada. “Viajo 800 km, em um mesmo dia, sozinha. Vou visitar irmãs em Fernandópolis, Presidente Prudente, Presidente Venceslau. E posso dizer que dirijo muito bem”, garante, que mora sozinha e não toma “um comprimido sequer”.
O aumento da longevidade fez com que também fosse ampliado o leque de possibilidades para que os bauruenses pudessem exercitar a mente, o físico e o convívio social. Na cidade, além da USC, pelo menos outras três universidades oferecem cursos abertos à terceira e à quarta idades.
E clubes como Serviço Social do Comércio (Sesc), Serviço Social da Indústria (Sesi), Associação dos Aposentados e o Programa Municipal de Assistência ao Idoso (Promai) também promovem atividades culturais, sociais, intelectuais e de lazer para esse público. Na avaliação da psicóloga Gislaine Aude Fantini, coordenadora da Universidade Aberta à Terceira Idade (Uati), vinculada à USC, esta expansão dos serviços respalda a mudança de postura que caracteriza esta nova geração de idosos. Conforme ela destaca, a figura das pessoas com idade mais avançada sentadas em uma cadeira de balanço aguardando o fim da vida já foi totalmente superada.
“Os idosos estão procurando envelhecer com qualidade, traçam planos e têm interesse em continuar aprendendo.”
Somente neste semestre, a Uati/USC espera a matrícula de 250 idosos.
Grupo 1
Assim como em 2008, em 2010 Bauru classificou-se no grupo 1 do Índice Paulista de Responsabilidade Social (IPRS), que engloba os municípios com melhores indicadores de riqueza, longevidade e escolaridade. Dos 645 municípios paulistas, 78 foram classificados nesta categoria, 75 no grupo 2, 195 no grupo 3, 199 no grupo 4 e 98 no grupo 5.
A maioria dos municípios do grupo 1 está localizada ao longo dos principais eixos rodoviários do Estado (rodovias Anhanguera e Presidente Dutra), que se interceptam no município de São Paulo. Os 78 municípios pertencentes ao grupo abrigam 9,8 milhões de pessoas, ou aproximadamente 23,9% da população estadual.