08 de julho de 2026
Nacional

Promotor ataca Bruno e livra a ex-mulher

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Chefe do tráfico de drogas em Minas Gerais, desrespeitoso com as mulheres, cercado de malandros e um criminoso facínora. Foi assim que o promotor Henry Vasconcelos descreveu Bruno Fernandes de Souza, 28 anos, ao pedir a pena máxima pelo assassinato de Eliza Samudio em 2010.

Até as 20h30, o julgamento de Bruno em Contagem (MG) não havia terminado. A previsão era que a sentença saia na madrugada de hoje. A condenação era esperada depois que ele admitiu pela primeira vez, anteontem, que sabia da morte de Eliza, mas não denunciou o crime.

Bruno negou ter sido o mandante e culpou o ex-amigo Luiz Henrique dos Santos, o Macarrão, pela iniciativa.

Segundo o promotor, Bruno, arrogante por ser goleiro do Flamengo, mandou sequestrar e matar Eliza como “se pisasse numa barata”, só para não pagar pensão à ex-amante, com quem teve um filho em 2010. “Um canalha.”

“O futebol perdeu um goleiro razoável, mas um grande ator (surgiu)”, disse o promotor, sobre os depoimentos de Bruno no julgamento.

A acusação sustentou ainda que Bruno manteve durante todo o tempo o controle da situação e mentiu, em meio a “lágrimas hipócritas”, ao atribuir a iniciativa a Macarrão.

O advogado Lúcio Adolfo, defensor de Bruno, disse que o processo tinha muitas irregularidades, como o fato de ainda haver investigação em andamento. Para ele, o caso é um “show midiático” e isso prejudicou seu cliente.

Segundo ele, a única prova de que Bruno foi o mandante é a confissão de Macarrão, em novembro, quando o ex-amigo do goleiro foi condenado a 15 anos de prisão. Para ele, essa prova foi obtida em uma “negociata”, na qual Macarrão buscava reduzir a pena, o que conseguiu.

O promotor pediu a absolvição de Dayanne Souza, 25 anos, ex-mulher de Bruno acusada de sequestro e cárcere privado do filho dele com Eliza. Segundo ele, Dayanne foi coagida a participar do crime pelo então marido.

Ércio Quaresma, advogado de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, voltou ontem a dirigir perguntas a uma cadeira vazia, como havia feito anteontem. Bruno e sua ex-mulher, Dayanne Rodrigues, com autorização da juíza Marixa Rodrigues, saíram do plenário quando o advogado fazia perguntas. “Desculpe-me, senhora Dayanne”, disse ao reformular uma questão dirigida à cadeira abandonada pela ex-mulher do goleiro.

Provocado pelo colega Lúcio Adolfo, advogado de Bruno, se a cadeira havia lhe respondido algo, Quaresma afirmou. “Ela tem respondido coisas profundas. Muito verdadeiras”, disse.