Continua tomado por manifestantes do Movimento Sem-Terra (MST) o escritório do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Bauru. Conforme o JC divulgou na edição de ontem, cerca de 50 ocupantes estão instalados desde a manhã de quinta-feira no imóvel, localizado no Jardim América, zona sul de Bauru, em protesto que reivindica melhores condições nos assentamentos da região e a arrecadação de terras pelo Incra para dar andamento à reforma agrária.
O movimento, organizado por mulheres, também acontece como um reforço da luta feminina em alusão ao Dia Internacional da Mulher, comemorado ontem.
Segundo os ocupantes, entretanto, uma visita da Polícia Militar (PM) no local, ainda na tarde de anteontem, provocou tensão entre os manifestantes.
“Um policial chegou dizendo em voz alta que ele era a autoridade e a lei e que estava apurando uma denúncia. Uma assentada foi gravar a inspeção no acampamento e, ao final, ele pegou o celular da mão dela e jogou na parede. Como foi tudo gravado, enviamos uma cópia para o Incra e depois para a corregedoria da polícia. Uma capitã esteve aqui depois apaziguando a situação”, conta um dos líderes dos manifestantes, Willian Cabeçoni, alegando um possível abuso de poder na situação gravada.
Questionado, o comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar no Interior (4BPM-I), tenente-coronel Nelson Garcia Filho, informou desconhecimento sobre o caso.
“Essa informação ainda não chegou até o comando. Assim que tivermos acesso a essa denúncia, uma investigação será instaurada de imediato. Se confirmado que o policial agiu em conduta excessiva, ele será punido”, afirma o tenente-coronel.
Apesar da confusão na quinta-feira, na manhã de ontem o clima era de tranquilidade entre os manifestantes, que transformaram os cômodos do estabelecimento em quartos e a área da frente do escritório do Incra em uma sala de TV.
Em nota, a assessoria de imprensa do Incra informou que a pauta dos manifestantes foi recebida ontem e os diversos assuntos – arrecadação de áreas, investimentos em infraestrutura e liberação de créditos – foram encaminhados às divisões responsáveis pelas ações reivindicadas.