08 de julho de 2026
Bairros

ALL é acusada de assorear lago

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.

A enxurrada carrega barro e sedimentos, que invadem o lago existente no condomínio

A biodiversidade existente no condomínio Lago Sul está ameaçada. Pelo menos é o que apontam os administradores do residencial. Eles denunciam que, há pelo menos três anos, sedimentos estão assoreando o lago que fica no interior do local. E, se já não bastassem as notícias de descarrilamentos frequentes, a América Latina Logística (ALL) seria, segundo a queixa, culpada pelo que é considerado um crime ambiental.

O caso já gerou duas queixas na Polícia Ambiental e um inquérito civil público em andamento no Ministério Público Estadual (MPE). O problema ocorre ao lado de um dos muros do condomínio, onde passa a malha ferroviária. Segundo o gerente administrativo do Lago Sul, Marco Janovsky, sedimentos dos entornos do trilho estão sendo carregados para dentro do residencial com a chuva.

A água carregada de barro e sedimentos passa por três pequenas passagens que há nos muros e entra no residencial. A força com que chega é tamanha que até abriu um novo buraco no muro. “Em 2010, essa água derrubou cerca de 40 metros do muro”.

Ao entrar no condomínio, a enxurrada chega a uma das nascentes e, depois, vai parar no lago. “Estamos muitos preocupados”, aponta o gerente.

Na tentativa de contornar o problema, foram construídos três bolsões de contenção dentro do residencial. Contudo, eles não são suficientes e, de acordo com os administradores, o barro que desce dos trilhos consegue chegar até a nascente.

A reportagem esteve no local e verificou o problema. De acordo com o condomínio, a ALL precisa construir um esquema de contenção que evitasse a enxurrada.

Se já não bastasse a erosão evidente ao redor dos trilhos, há ainda montes de terra depositados nas proximidades. “Isso amplia o problema. É mais terra descendo para cá”, critica Janovsky.

A preocupação com o lago é justificável. Conforme relatório do próprio condomínio, a biodiversidade ali existente é grande. Além da flora marinha, há, no mínimo, 21 espécies de peixes vivendo ali.

Desde 2010

Os administradores do condomínio afirmam que já fizeram uma denúncia na Polícia Ambiental em 2010. No último dia 1.º, eles realizaram novamente um registro por conta da chuva e da ampliação do problema.

A ALL, empresa que administra a malha ferroviária, respondeu somente que já havia resolvido o problema em 2010. Em nota emitida por sua assessoria de comunicação, prometeu ainda que, na próxima semana, enviará uma equipe técnica para avaliar o local e tomar novamente as medidas cabíveis.

Em relação aos montes de terra que foram depositados nas proximidades dos trilhos, o Lago Sul alega que foram trazidos por veículos da ALL. A empresa, contudo, não contemplou tal questionamento feito pela reportagem.

O promotor público do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Sciuli de Castro, confirmou que há um inquérito civil público aberto para apurar a responsabilidade da ALL no problema. Ele afirma que as apurações continuam.


Crime ambiental

Informado pela reportagem do JC, o titular da Delegacia de Crimes Ambientais, Dinair da Silva, afirma que, caso comprovado o assoreamento, pode ser configurado realmente um crime ambiental.

Ele, contudo, aponta que não tinha conhecimento da denúncia até o momento e pede que as vítimas procurem a unidade especializada da Polícia Civil, que fica no 1.º Distrito Policial (DP).

“Iremos acionar a Polícia Científica e, dependendo do caso, até a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Depois, verificaremos o nível do assoreamento para tomar as medidas cabíveis, como ouvir as testemunhas”, explica o delegado.

Por conta do adiantado da hora, não foi possível contato com a Polícia Ambiental.