09 de julho de 2026
Polícia

Vítima detalha esquema de policiais que foram detidos

Vitor Oshiro com Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Cerca de R$ 500,00. É o que uma pessoa precisava pagar todo mês aos policiais que foram presos esta semana em Bauru para não ser “dedada”. A vítima, que trazia produtos contrabandeados, relata que já pagava propina há mais de dois anos e revela detalhes do esquema criminoso.

O caso foi deflagrado na última terça-feira durante a Operação Papa, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) - Núcleo Bauru, juntamente com as corregedorias das polícias Civil e Militar. Na ocasião, um policial civil e três militares foram presos.

Entre a lista de crimes dos acusados estão formação de milícia, corrupção passiva, tráfico de drogas, posse de munição de uso restrito e ainda crimes militares de violação de sigilo funcional.

Ontem, uma pessoa que pagava mensalmente propina ao grupo e pediu para ter a identidade preservada procurou o JC. Ela relatou, com exclusividade, como era o esquema. “Eu pagava o valor de R$ 500,00 todo mês. Tinha período que esse valor dobrava”.

Segundo a vítima, quem o abordava sempre era o policial civil envolvido. Ele, inclusive, chamava a propina metaforicamente de “cafezinho”. “Ele falava que eu estava errado e que era para eu dar esse ‘cafezinho’ para ele”.

O policial civil, conforme divulgado, havia sido preso em 29 de janeiro deste ano com munição de uso restrito. “Ele foi solto três dias depois nessa ocasião. E ele não estava sozinho. Foi preso com uma mulher. Foi isso que me revoltou. Como alguém é pego com munição e é liberado logo depois?”, questiona.

Apesar de não saber quantas pessoas mais eram extorquidas pelo grupo, a fonte afirma que tem conhecimento de várias outras vítimas. “Já vi pessoas que não pagaram e foram ‘dedadas’ por eles. Tinha casos que eles levavam tudo e ainda prendiam as pessoas”.

A fonte explica ainda que tinha contato direto com o policial civil, porém, já tinha ouvido da participação dos policiais militares no esquema criminoso.

Mudança de placas

Anteontem, após as prisões dos envolvidos, o Gaeco localizou um depósito de armas na região central de Bauru. Lá, havia centenas de munições de uso restrito e vários artefatos policiais. Na garagem, havia um carro com o lacre rompido e equipado com um rádio na frequência da PM.

“Esse policial civil usava esse carro, que era um Siena preto. O lacre estava rompido porque ele trocava as placas quando ia cobrar a propina. As placas eram do Paraná e ele colocava as de São Paulo no lugar. Assim, se alguém anotasse a placa, estaria errado”, conta a pessoa que alega ter sido extorquida.

Ela relata ainda que havia outros dois carros envolvidos no esquema. Em relação ao depósito, conta que não era ali o ponto de encontro do grupo. “Esse policial se reunia com a gente em um posto. É lá que ele cobrava a propina”, conclui.