09 de julho de 2026
Geral

Ato pede fim da violência às mulheres

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

“Elas querem é poder!”, diz Rita Lee no início da canção de sua autoria, “Todas as mulheres do mundo”. Em um ato motivado pelo Dia Internacional da Mulher, organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) de Bauru, imagina-se que este seria o principal mote das palavras de ordem. No entanto, a passeata realizada na manhã de ontem, no Calçadão da Batista, reafirmou muito mais do que isso e pediu, além de igualdade, o fim da violência contra a mulher.

 

Neide Carlos

Caminhada tomou conta do Calçadão da Batista em defesa da igualdade às mulheres

Apesar do tema e do discurso densos, o clima do evento foi de leveza e alegria. De camisetas roxas, os manifestantes – do sexo masculino e feminino – tomaram o Centro de Bauru, ao som da bateria do grupo Ouro Verde 100% Arte, convidado pela direção da CUT. “Temos que marcar posição com alegria. Isso faz parte da mulher. Ambientes só com homens, normalmente, são muito sisudos, não é mesmo? Mas me deixa muito feliz a participação deles aqui hoje. Afinal, só queremos igualdade”, diz a sindicalista Ivone Victorino Ramos.


Dançaria do Ouro Verde, Melissa Helena de Souza tem apenas 13 anos e ainda não tem dimensão da importância da luta feminina, mas já conhece algumas peculiaridades do sexo que, de frágil, não tem nada. “Nós somos guerreiras e trazemos a beleza para o mundo”, disse antes de dar ainda mais brilho à apresentação da bateria do grupo, carregando bexigas da cor lilás.


Assessor da CUT de São Paulo na região, Joao Andrade foi um dos organizadores do evento e diz que o convite ao 100% Arte teve, como objetivo, atrair ainda mais pessoas para a caminhada, da qual participaram, aproximadamente, 100 pessoas. “Eles estão ajudando a dar mais vida e ânimo ao movimento”, comenta.



Fogem à regra


O movimento Hip-Hop é formado, majoritariamente por homens. Aqui em Bauru, porém, a regra não é esta. Luana Nayhara da Silva Oliveira,15 anos, e Tamires Higino, 16 anos, fazem parte da Frente Feminina de Hip-Hop na cidade, trabalho desenvolvido junto ao instituto Acesso Popular.


O grupo tem como principal tarefa difundir informações sobre a questão de gênero e defesa da mulher.  “Nenhuma de nós canta, dança, toca ou grafita. Nossa ação está toda voltada à educação”, conta Luana.


A frente feminina participou da organização do evento junto à CUT e as meninas contam que a escolha da praça Rui Barbosa como ponto de concentração da passeata não foi à toa. “Agora nós conseguimos uma sede. Mas, antes, nos reuníamos em uma praça. Era sempre na rua, independentemente de sol ou chuva”, lembra.

De pai para filho

Representando o Sindicato dos Enfermeiros, Ricardo Fernando de Campos foi um dos muitos homens que participaram da passeata, que teve como lema “Igualdade na vida, no trabalho e na sociedade”. Ele fez questão também de levar o filho Kaleb Moreira de Campos, de apenas 2 anos.


“Atos como este são fundamentais para reafirmar que a legislação não é suficiente para garantir que as mulheres sejam protegidas. É preciso agregar os movimentos sociais à discussão, motivando a sociedade a respeitar os direitos”, explica.

 

Luta que não acaba

 

Diretora da Associação dos Funcionários da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (Afuse), Ivone Victorino Ramos é gerente de organização escolar e explica a importância da luta contra a violência. “Precisamos informar. A maioria das mulheres não conhece detalhes da lei Maria da Penha”.


Isso porque, além de punir o agressor, a legislação vai além, garantindo proteção á vítimas e às famílias. “Existe a possibilidade de abrigo e, até mesmo, de ajuda para que as mulheres sejam inseridas no mercado de trabalho, pois, muitas vezes, a dependência econômica é que as mantém reféns”, pontua.


A violência e a discriminação, porém, não atormentam mulheres apenas no ambiente doméstico. Diretora do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) Suzi da Silva expõe que a categoria é composta por cerca de 80% de profissionais do sexo feminino. Ainda assim, os problemas persistem. “Sendo mulheres, temos muitas dificuldades para negociar nossas reivindicações. Além disso, enfrentamos a violência escolar, que também está em ascensão”.


Quanto às agressões dentro de casa, Suzi ressalta que a lei da Maria da Penha fez com que disparasse número de denúncias.

 

Amigas do Peito

Saúde e prevenção também são assuntos importantes no universo feminino. Por conta disso, o grupo Amigas do Peito manteve a tradição e se mobilizou no Calçadão da Batista ontem, em comemoração à Semana da Mulher. Foram distribuídos fôlderes que alertam sobre os cuidados contra o câncer de Mama. As mulheres abordadas, porém, também receberam rosas como homenagem.