A região de Bauru possui um acervo de prédios e imóveis que compõe uma rica história de formação e desenvolvimento dos municípios. Muitos edifícios e casas são representativos de um dado período arquitetônico. Outros, em fase de construção, começam a criar história na comunidade aonde estão inseridos.
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Arquivo/Aceituno Jr. |
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Catedral Metropolitana Basílica Menor Sant’Ana, imponente, em Botucatu |
Alguns endereços marcam pela importância do seu surgimento, pela sua função na comunidade, por sua desativação e retomada. É o caso do Peabiru Hotel, em Botucatu. Localizado na principal artéria comercial da cidade, a rua Amando de Barros, o prédio se destacou no tempo pelo período de sua inauguração, sua utilização e envolvimento com a própria história da cidade. Atualmente, o térreo foi alugado para uma rede de lojas de moda. Os andares superiores estão em reforma.
Um advogado, com escritório com vista privilegiada para o Peabiru, contou ao JC, na tarde da última sexta-feira, que observa o andamento das obras diariamente de sua janela e se diz curioso para saber qual será a destinação dos andares superiores. O escritor, pesquisador e também advogado Armando Moraes Delmanto registrou em seu livro “Memórias de Botucatu III”, de 2000, o momento efervescente que foi para a cidade a inauguração do Peabiru Hotel. Delmanto contextualiza no tempo a construção do que denominou “Nosso primeiro arranha-céu”, inaugurado em 19 de janeiro de 1957, o edifício “Pedro Amando de Barros” e “Peabiru Hotel”. Era a segunda metade da década de 50, do século passado. Do segundo ao sétimo andares, ficavam o setor de hotelaria, com 42 quartos e 12 apartamentos. No último andar foram instalados o restaurante panorâmico e o bar do hotel.
Delmanto enfatiza em seu relato que era uma época em que o Brasil vivia um período de transformação e desenvolvimento que se alastrou por várias regiões. A rua Amando de Barros era o ponto central do boom imobiliário botucatuense com a construção de vários prédios, conforme frisa o relato do escritor, reproduzindo notícia do jornal “Folha de Botucatu”.
Essa edição do JC Regional destaca nas próximas páginas importantes construções em alguns municípios, a recuperação de espaços para o convívio social e novidades arquitetônicas que enriquecem a região de Bauru. O acervo destacado não inclui conjuntos arquitetônicos na zona rural, como o da Fazenda Lageado, da Unesp de Botucatu, tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat).
Estação é cultura
Um dos ganhos recentes para o patrimônio histórico da região de Bauru foi a revitalização da estação ferroviária de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), transformada em Centro Cultural “Izavam Ribeiro Macário”. A antiga Estação Ferroviária abriga a história do município e exposições itinerantes. A zona urbana da cidade ainda abriga prédio onde ainda hoje funciona a Escola “Eliazar Braga” com cerca de 90 anos e foi a primeira escola urbana do município. O nome do colégio público homenageia o doador do terreno, coronel Eliazar Braga.
Conjunto de prédios ressalta a cultura
Colégio Industrial, Escola Normal, Prefeitura, Catedral e Pinacoteca formam, com outros edifícios, complexo histórico
O tempo passa e eles permanecem insuperáveis. Alguns são colossos arquitetônicos. Outros não demonstram a mesma vitalidade, mas são parte do que é Botucatu, cidade que completará 158 anos em 14 de abril. O município tem uma coleção preciosa de imóveis que conta a história da cidade encravada no alto da serra (Cuesta de Botucatu). Quatro prédios se impõe na paisagem arquitetônica botucatuense na avenida Santana. Inicia-se o passeio pelo prédio da Escola Industrial, aonde funciona a Escola Técnica EstadualDoutor Domingo Minicucci Filho”. Dois quarteirões à frente, praticamente lado a lado, estão a Escola Normal e a Catedral de Sant’ana. Do outro lado da rua fica o prédio da Prefeitura de Botucatu. Seguindo pela avenida Dom Lúcio, um quarteirão após a Catedral, chega-se ao prédio do antigo Fórum, futura Pinacoteca. Neste pedaço em que a pavimentação deixa à mostra os paralelepípedos a Igreja Matriz ocupa o centro da paisagem arquitetônica.
No corre-corre diário, é natural que o botucatuense não se dê conta da convivência tão próxima de um complexo arquitetônico, educacional e religioso importante para o desenvolvimento do município e da região. O prédio da Escola Normal completou 100 anos em 2011 – o colégio público recebeu seus primeiros estudantes em 16 de maio de 1911. O decreto de sua criação data de 31 de dezembro de 1910. O prédio centenário já foi denominado Escola Normal, Instituto de Educação Cardoso de Almeida, e, atualmente, é a E.E. Cardoso de Almeida, onde estudam 1.640 alunos em três períodos e mais seis classes da Etec “Dr. Domingos Minucci Filho”.
Paralela à avenida Santana, a rua Doutor Costa Leite abriga importantes prédios para a vida educacional e religiosa de Botucatu. Colégio Santa Marcelina, Seminário Arquidiocesano, Cúria Arquidiocesana e o Colégio La Salle, compõem um quadrilátero fechado na esquina com a rua Monsenhor Ferrari, com os prédios da Beneficência Portuguesa e Casa das Meninas Amando de Barros, prédios de arquitetura impecável. No centro do quadrilátero está a Catedral.
O escritor e pesquisador da história de Botucatu Armando Moraes Delmanto citou em seu blog (blogdodelmanto.blogspot.com.br), em 10 de dezembro de 2012, os Centenários, em 2011, do Seminário, em 2010, da Escola Normal, e, em 2012, do Colégio Santa Marcelina. Para ele, as instituições são o tripé educacional de Botucatue que possibilitaram que a cidade fizesse jus aos slogans “Cidade dos Bons Ares e das Boas Escolas”. O escritor e pesquisador ainda cita para 2013 o Centenário do Ginásio Diocesano, transformado em Colégio Arquidiocesano e, atualmente, Colégio La Salle. Delmanto se formou no La Salle, em 1962.
De cemitério, Fórum vira Pinacoteca
“Catedral da Cultura” foi o termo usado pelo governador Geraldo Alckmin ao anunciar, no final do ano passado, a implantação em Botucatu da primeira Pinacoteca no Interior do Estado de São Paulo. O prédio escolhido foi o do antigo Fórum com investimento pelo Estado de R$ 11 milhões para reformar e adaptar o edifício, que abrigará também o Museu da Arte Contemporânea Itajahy Martins. A previsão é de que a Pinacoteca em Botucatu seja inaugurada no primeiro semestre de 2014, quando o mesmo completa 90 anos e o MAC Itajahy Martins estará comemorando 30 anos de sua fundação. O prédio do antigo Fórum ocupa 2.878 m² de área construída, com subsolo, térreo, primeiro e segundo pavimentos.
O lugar onde foi erguido o antigo Fórum antes era o cemitério Campo Santo. O prédio do Fórum foi construído em 1924 e está desativado desde 2003. O projeto do Fórum foi concebido pelo escritório do arquiteto Ramos de Azevedo, o mesmo que construiu a Pinacoteca do Estado de São Paulo, no Parque da Luz, e o edifício atualmente ocupado pela Estação Pinacoteca, ambos no centro da capital paulista.
Lençóis Paulista constrói Municipal
O Teatro Municipal de Lençóis Paulista pode ser inaugurado até 2016. A obra começou em 2009 e conta com captação de recursos junto ao setor privado mediante vantagens da Lei Rouanet. O teatro municipal tem projeto do arquiteto bauruense Jurandyr Bueno Filho e terá capacidade para 618 lugares. A área total construída será de 2.000 m². Na primeira etapa foram captados R$ 2,390 milhões destinados para o projeto, construção da área externa, obras no entorno, camarins, palco, fosso para orquestra, preparação do auditório, colocação de piso intertravado e estacionamento.
Na segunda etapa, a previsão orçamentária é de R$ 2,5 milhões que serão destinados para a parte cênica, climatização, sistema de iluminação, forro, revestimento, sonorização, pisos na área interna e plataformas hidráulicas.
Jaú - 160 anos de rica arquitetura
Quem circula pelo centro de Jaú (47 quilômetros de Bauru) não fica insensível aos casarões e edificações importantes de um município que completa 160 anos no dia 15 de agosto, data oficial da criação do município que possui 131.040 habitantes, conforme o censo IBGE de 2010.
A administração municipal estuda restaurar o Teatro Municipal “Elza Munerato”, localizado na avenida João Ferraz Neto, no Centro, e que ontem apresentou como atração a peça “A Galinha Pintadinha”.
Na paisagem da região central destaca-se a imponência da Igreja Matriz Nossa Senhora do Patrocínio, criada em 15 de agosto de 1853, festa da Assunção de Nossa Senhora, tendo como Padroeira Nossa Senhora do Patrocínio, cuja imagem primitiva foi trazida de Itu. A planta da igreja foi elaborada em forma de cruz e sua pedra fundamental foi lançada em 24 de novembro de 1895. A inauguração do templo data de 9 de junho de 1901, mesmo incompleto.
Conforme dados da Prefeitura de Jaú, o estilo gótico faz da matriz um dos mais notáveis monumentos de São Paulo e do País. De 1899, o “Mercadão”, como é conhecido o Mercado Municipal, já foi “vítima” de um incêndio pouco antes de completar 100 anos. Passou por uma ampla reforma e abriga lojas de comércio popular. O setor cultural tem o privilégio de usufruir do prédio em estilo inglês da Estação Ferroviária de Jahu. O local restaurado abriga a Estação do Som, local de apresentações musicais e polo de ensino.
São Manuel projeta revitalizar teatro
Espaço necessita de obras de infraestrutura e integra proposta para implantar política de fortalecimento da cultura
Uma caixa metálica sobressaindo na fachada do Cineteatro São Manuel sugere que alguma coisa não está apropriada no prédio. Suas linhas arquitetônicas não combinam com o aparelho de ar-condicionado vazado no vitral da fachada.
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Divulgação |
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Cineteatro de São Manuel terá reforma básicas para voltar a receber atividades artístico-culturais |
O início de uma nova administração pressupõe que o setor cultural do município seja revitalizado. O diretor de Cultura e Turismo, Rodrigo Pinheiro, contextualiza que o prédio do Cineteatro integra ações que pretendem atender anseios da classe artística de São Manuel. Pinheiro esclarece que o Cineteatro deve ser revitalizado e se tornar a casa da cultura na cidade, podendo não apenas receber espetáculos, mas ser um espaço significativo para os artistas da cidade.
Segundo Pinheiro, o grande projeto da nova administração na área da cultura esta relacionado à criação do Sistema Municipal de Cultura, implantado por meio de lei própria e seguindo as orientações do Ministério da Cultura (MinC). As ações do Sistema pretendem criar o Conselho Municipal de Política Cultural, que é paritário e os representantes dos artistas da cidade são eleitos por voto direto. Esta estrutura prevê um plano municipal, com duração de 10 anos, que será votado na Câmara Municipal e irá direcionar os rumos da cultura na cidade de modo compatível com os planos estadual e federal, seguindo as orientações dadas pela sociedade. Nesta perspectiva, a administração desenvolve programas de fomento e difusão cultural, que visam oferecer contratos para os artistas locais, fomentando seus trabalhos pelos bairros da cidade, projetando a interação com a população.
Pinheiro é realista ao diagnosticar os problemas do prédio do Cineteatro. “Se encontra em estado de abandono, existem vários problemas a serem sanados.” O diretor de Cultura define que, em um primeiro momento, o problema será atacado com a manutenção no telhado, no palco, na elétrica e uma dedetização para sanar o problema com cupins. Conforme Pinheiro, simultaneamente, o setor de engenharia da administração desenvolve um grande projeto, visando a adequação do Cineteatro para se tornar uma casa de ponta, com todos os recursos necessários. “Para isso a diretoria de Cultura, juntamente com o prefeito Marcos Monti, estão buscando recursos junto aos governos estadual e federal”, pontua.
O ator Thiago Arruda é um dos que agitam a retomada do Cineteatro de São Manuel. Ele relembra que se apresentou no espaço cultural há muito tempo, quando ainda estava no ensino médio e comandava um grupo de teatro amador. “Em 2011, eu e uma amiga, também atriz e professora de teatro, montamos um grupo amador, demos aula para jovens interessados na área, e no ano passado montamos ‘O Pequeno Príncipe’ e tentamos um espaço no teatro, para apresentação e ensaios, mas não conseguimos nada”, lamenta.
Dr. Alberto Pampado
O Cineteatro Doutor Alberto Pampado foi inaugurado no dia 15 de janeiro de 1908, com apresentação da Companhia Teatral Antônio Leal. Com apoio das Sociedades Italiana e Portuguesa, ocorreram exibições de famosas companhias líricas, com encenação de O Guarani, La Traviata, Cavalaria Rusticana, Trovatore, Barbeiro de Sevilha, Aida, Rigoletto, entre outras. O Cineteatro também abrigou a Rádio Clube de São Manuel, durante quase duas décadas. Após reforma, o prédio foi ocupado pela Câmara Municipal. Reformado novamente, retomou sua função original de teatro municipal.
Depois o teatro virou Cineteatro com exibição de filmes com lançamento simultâneo às principais cidades. O espaço é reservado em datas específicas para apresentações teatrais e shows, segundo informações da administração municipal.