“Como assistente social, todos os dias eu peço a Deus e prometo que vou combater as injustiças”, é assim que Darlene Martin Tendolo diz começar os seus dias. À frente da Secretaria do Bem-Estar Social, ela também revela que a profissão é um sonho de infância realizado. “Eu sempre amei de paixão as causas sociais. Tudo o que eu fiz trilhou por esses caminhos”, lembra.
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Eder Azevedo |
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A secretária do Bem-Estar Social, Darlene Tendolo |
A trajetória da secretária foi longa. A Darlene profissional já foi conselheira tutelar, assistente social em várias instituições, já atuou em praticamente todos os postos de saúde de Bauru, já foi analista financeira e trabalhou em empresas privadas. “Mas foi no serviço público que eu me encontrei. Acho fantástico esse trabalho de poder atender as pessoas”.
Mas a conhecida Darlene também tem alguns lados que apenas os mais íntimos conhecem. Ela já foi cabeleireira, prática que hoje é um hobby. “Inclusive, sou eu quem corta o meu cabelo”.
Outra faceta da secretária foi ter composto o primeiro time de showbol do Brasil, time de futebol feminino liderado pelo então técnico João Bidu.
Mulher de muitas paixões, a entrevistada de hoje vê na culinária uma fonte de prazer e alívio para o cotidiano. Ela acredita que a comida envolve e une familiares e amigos e afirma sem modéstia: “Quem já provou diz que sou uma cozinheira de mão cheia. Adoro fazer risoto de camarão e carnes assadas. Gosto da comida colorida, daqueles pratos que alegram os olhos e o estômago”. Confira estas e outras histórias de Darlene, abaixo.
Jornal da Cidade - Qual foi a sua trajetória até chegar à Secretaria do Bem-Estar Social?
Darlene Martin Tendolo - Sou funcionária pública de carreira, já fui conselheira tutelar por duas vezes consecutivas, fui assistente social em algumas entidades, como a Creche São Francisco de Assis, que na verdade é a Ação Comunitária do Parque Jaraguá, e trabalhei em quase todos os postos de saúde da cidade. Conheço Bauru como a palma da minha mão. Também já fui analista financeira e trabalhei para empresas privadas, mas o serviço público sempre foi a minha paixão. Também sou apaixonada pela legislação que é capaz de transformar a sociedade, de praticar a justiça. Eu acho que as pessoas precisam viver bem e ter bons empregos para serem felizes e, muitas vezes, isso precisa ser reivindicado, conquistado. Bom seria se a nossa sociedade fosse igualitária, mas a corrupção distancia isso.
JC - Essa preocupação social vem da infância?
Darlene - Eu sempre amei de paixão as causas sociais, e isso vem desde a minha infância, sim. Eu sempre me dedicava a assuntos que envolviam o social, sempre estava preocupada com as reivindicações das pessoas e sempre achei que a mulher precisa participar das decisões políticas. Tudo o que eu fiz caminhou para esses pontos. A faculdade de serviço social e todos os cursos que eu fiz sempre foram voltados para essa área, mesmo a política e a gestão.
JC - Um sonho realizado.
Darlene - O meu avó era um espiritualista, um homem extremamente inteligente, e meus pais sempre me incentivaram a estudar por acharem que esse caminho é fundamental para se conquistar uma boa carreira profissional. Quando criança, eu sonhava ser uma funcionária pública. Eu via no serviço público uma oportunidade muito grande de poder trabalhar com a população e melhorar a vida das pessoas. E me tornei funcionária pública. Acho fantástico esse trabalho de poder atender as pessoas.
JC - Qual é o maior problema social de Bauru?
Darlene - Os problemas sociais vão se acumulando ao longo dos anos e a falta de informação é uma mazela social muito grande. A partir do momento em que a pessoa não conhece o seu direito, ela tem dificuldade de acessar benefícios. A falta de informação impede até mesmo a formação. Há pessoas que não acreditam que podem fazer cursos e até faculdade gratuitamente, elas acham que isso não existe, que são mentiras. E essa falta de informação dificulta a transformação da sociedade. Hoje, as crianças estão muito melhores, mas as pessoas com mais de 29 anos precisam de investimento em informação até mesmo para melhorarem sua formação para o mercado de trabalho. Muitas vezes há empregos, mas não pessoas qualificadas para as funções.
JC - Imagino que a comoção faça parte da sua vida profissional?
Darlene - Olha, eu me comovo diariamente. É muito triste você se deparar com o abuso e a exploração de crianças e adolescentes. Esse é um crime hediondo que causa uma tristeza muito grande nos profissionais desta área. É fácil atender situações de vulnerabilidade. Você acessa bens e serviços, e nós disponibilizamos muitos deles. Porém, quando uma mulher é violentada, espancada ou uma criança é viciada, a situação fica muito difícil para todos. Tem gente que se acha dona da carne de outra pessoa, abusa e muitas vezes sai impune, porque é muito difícil esse crime ser comprovado. Isso é muito triste. Quando era conselheira tutelar, deparei-me com um caso de abuso sexual de uma criança muito pequena, um bebê. Foi chocante. Como assistente social, todos os dias eu peço a Deus e prometo que vou combater as injustiças.
JC - Também há o outro lado da comoção, imagino.
Darlene - Sim. Recentemente, por exemplo, eu fiquei muito feliz porque encontrei um garoto da creche do Jaraguá, onde trabalhei, e ele está cursando serviço social. Eu sei o quanto a mãe dele lutou, porque quando ele tinha apenas dois anos, esteve sob os meus cuidados na creche.
JC - Além de hobby, cozinhar é uma terapia?
Darlene - Cozinhar é tudo de bom. E quem já experimentou garante que eu sou uma cozinheira de mão cheia. Adoro fazer risoto de camarão. Gosto e faço muitas carnes assadas. Gosto de fazer comida colorida, com frutas, verduras e legumes, aqueles pratos que alegram os olhos e o estômago. Acho que poder fazer um alimento e partilhar a mesa é uma felicidade muito grande. Eu sempre procuro cozinhar para um número grande de pessoas. Na minha casa ou mesmo quando viajo sou eu quem cozinha. Também sou especialista em batidas de frutas (risos). Eu acho que a terapia da cozinha também envolve a beleza das cores. A cozinha envolve e une a família e os amigos.
JC - Qual é o outro lado da Darlene que Bauru não conhece?
Darlene - Eu mesma corto os meus cabelos porque sou cabeleireira, com curso do Senac e tudo (risos). E isso é outro hobby. Corto o cabelo da minha mãe, sobrinhos... Outra coisa que ninguém sabe é que eu fui do primeiro time showbol do Brasil, quando o João Bidu era técnico. Joguei por mais de dois anos, participei de competições em outras cidades... Era uma espécie de jogo show de futebol feminino. Eu jogava handebol antes disso.
JC - E quanto às praias?
Darlene - Eu gosto muito do litoral paulista, principalmente da cidade do Guarujá, onde faço questão de sempre estar. Acho que as praias são as maiores maravilhas que o mundo oferece para o ser humano. Gosto de sentar e ver aquela bela imensidão do mar, o barulho das ondas...
JC - Você é religiosa?
Darlene - Sou crente em Deus e penso que a Doutrina Espírita se encaixa perfeitamente comigo. Também acredito na força e na energia positiva da vida. É isso que move os meus dias e as minhas ações. Acho muito importante vivermos com amor.
JC - Você se diz uma apaixonada por Bauru...
Darlene - Eu amo a minha cidade. Estou em Bauru há 48 anos e sou muito feliz por morar aqui. Lembro-me que vir para Bauru foi a maior felicidade da minha vida. Passear de ônibus era algo que me deixava radiante quando menina (risos). Já recebi vários convites para trabalhar em outras cidades e até mesmo para viver fora do País, mas adotei Bauru como a minha terra.