09 de julho de 2026
Política

Inclusão digital empaca em Bauru

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Anunciados por uma parceria entre a Prefeitura de Bauru, entidades e o governo federal, os telecentros do município, em sua maioria, ainda não saíram do papel. Ao todo, são 561 computadores que deveriam estar à disposição da população, espalhados pelos bairros de Bauru, a fim de promover a inclusão digital. As máquinas chegaram à cidade entre 2011 e 2012, mas o programa ainda não vingou.


Recém-empossado como titular da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, Chico Maia, coordenou o projeto na esfera local e garante que a responsabilidade pelo não funcionamento dos 51 telecentros prometidos não é da prefeitura. “Nós fazemos tudo o que está ao nosso alcance”.


Segundo ele, a viabilização de fato dos telecentros depende de dois fatores: a contratação de dois monitores para cada uma das unidades do programa e a chegada das antenas com acesso à Internet via satélite, solicitadas pelo município em maio do ano passado.


Maia afirma que o município aguarda o envio desses equipamentos, que são totalmente custeados pelo governo federal. A reivindicação foi, inclusive, tema de uma das reuniões de trabalho promovidas no último encontro de prefeitos, realizado, recentemente, em Brasília.


A contratação dos monitores também depende de aval do Ministério do Planejamento. Isso porque os 102, escolhidos a partir de processo seletivo, vão receber bolsas no valor aproximado de R$ 241,50, por jornada de 20h semanais de trabalho e mais 10h de formação. O dinheiro é financiado pelo Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “A prefeitura não pode pagar e o convênio não permite que os telecentros funcionem sem monitores”, explica Maia.


O coordenador do projeto em Bauru afirma que os 102 bolsistas para os telecentros já estão selecionados desde o ano passado. No entanto, o primeiro processo foi fracassado por falta de interessados.


Outro problema que interferiu no atraso dos telecentros, mas já deixou de ser decisivo, foi a dificuldade de contratação, pelo governo federal, de empresa responsável pela instalação e assistência técnica das máquinas e softwares. “Com isso, a gente não precisa se preocupar. Essa empresa vai, inclusive, promover a atualização dos softwares nos computadores.


O Ministério das Comunicações, responsável pelo programa, foi acionado pelo Jornal da Cidade, mas não respondeu aos questionamentos.



Problemas


A inoperância dos telecentros foi levantada na Tribuna do Leitor, na edição da última quinta-feira do Jornal da Cidade. Tião Camargo relatou que os computadores estão encaixotados no centro comunitário do Jardim Europa desde o primeiro semestre do ano passado.


O leitor conta que, inclusive, já se ofereceu para dar aulas gratuitamente no local. No entanto, foi informado que os instrutores deveriam ser escolhidos pela prefeitura.


Camargo observa ainda que, no que tange à informática, um ano equivale a um século por conta da evolução tecnológica. “Daqui a pouco esses equipamentos não servem mais”.


Além dos equipamentos de informática, os telecentros de Bauru já receberam o mobiliário.

 

Sem Internet ou sem monitor

Chico Maia informou ao JC que recente alteração no programa Telecentros.Br permitiu que as entidades parceiras dos municípios poderiam dar início às atividades desde que disponibilizassem o acesso à Internet banda larga e o auxílio de monitores voluntários. “Por conta disso, vamos propor uma força-tarefa para ver o que é possível ampliar”.


O coordenador do projeto citou cinco telecentros que, a partir dessa nova resolução, já começaram a funcionar: o da Sorri-Bauru, da Restaurar, do Programa de Integração e Assistência à Criança e ao Adolescente (Aelesab), da Biblioteca Central e do centro comunitário do Octávio Rasi.


Os dois últimos telecentros, porém, não funcionam de maneira adequada. Maia admite que o da biblioteca não dispõe de monitores voluntários e do Octávio Rasi ainda não possui acesso à Internet.


Segundo Chico, nos locais em que o serviço já está disponível, todos os cidadãos usufruí-lo. “Basta ir ao local, já que o cadastro é feito na hora”.


A proposta original é de que os telecentros forneçam cursos e acesso à Internet para pessoas de baixa renda, possibilitando que a comunidade pague contas on line, faça cursos a distância, realize trabalhos escolares e tenha acesso às redes sociais.