09 de julho de 2026
Polícia

Acusação diz que defesa de Mizael quer confundir jurados

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

A equipe responsável pela acusação no julgamento do ex-policial e advogado Mizael Bispo de Souza afirmou hoje ao término do primeiro dia de júri, que a defesa está tentando confundir testemunhas e jurados. O dia foi marcado por provocações e discussões entre as duas partes.

"Me parece que a defesa adotou a tática de confundir as testemunhas", afirmou o advogado Alexandre de Sá Domingues, contratado pela família da vítima, Mércia Nakashima, e assistente da acusação. Já o promotor Rodrigo Merli Antunes disse que a defesa também tenta "tirar a calma" da equipe de acusação.

"Eles só precisam das duvidas dos jurados. Estou achando que nos tirar do sério é uma estratégia deles", afirmou Antunes, que acrescentou, em tom humorado, que pretende tomar calmante hoje para se preparar para o segundo dia de julgamento.

 Já próximo ao término do primeiro dia de julgamento, durante o depoimento do engenheiro Eduardo Amato Tolezani, a defesa e a acusação discutiram devido às insistentes perguntas da defesa que confundia os sinais de recepção de celular e os sinais das antenas da empresa de telefonia.

Alga no sapato

O biólogo Carlos Eduardo de Mattos Bicudo foi a segunda testemunhas a depor nesta segunda-feira (11), primeiro dia de julgamento do ex-policial e advogado Mizael Bispo de Souza. No depoimento, ele afirmou que o sapato do réu, analisado na época do crime, entrou na água da represa em que a vítima foi encontrada.

Álbum de Família

Mércia Nakashima foi morta em 2010

 "O sapato analisado foi submerso na água da represa. Não há outra hipótese para essa alga estar lá", afirmou a testemunha se referindo a alga encontrada no sapato de Mizael, acusado de matar sua ex-namorada, Mércia Nakashima. O corpo dela foi encontrado na represa de Nazaré Paulista (a 64 km de São Paulo) em 2010.

A testemunha destacou que a confirmação de que o material era proveniente da represa foi possível devido a várias amostras coletadas no Estado nos últimos 40 anos, apesar disso, ele afirmou que a alga existe sim em outros locais.

Bicudo também afirmou que ao fazer a análise constatou que os resíduos deixados no sapato do réu eram recentes. Segundo ele, a alga morre rapidamente fora d'água, mas ainda mantém as características necessárias para a análise por cerca de 10 e 15 dias.  Com isso, o biólogo estima que Mizael tenha estado na represa cerca de dez dias antes da análise do material.

 O depoimento do biólogo durou cerca de uma hora e meia, mas ele não foi dispensado pela defesa de Mizael. Ele deverá retornar para uma acareação com o físico Oswaldo Negrini Neto, que contestou o laudo e deverá ser ouvido nos próximos dias.

 Depois do biólogo, foi chamado para depor o engenheiro Eduardo Amato Tolezano, responsável por rastrear ligações telefônicas de Mizael. O depoimento dele, porém, não será transmitido como ocorreu com as duas primeiras testemunhas.

 Ameaças

Antes de Bicudo, Márcio Nakashima, irmão de Mércia, foi ouvido no plenário e disse que o réu fazia ameaças e perseguia a vítima. "Quando ele não conseguia falar com ela, ele saía atrás dela. Ele gostava de controlar o que ela fazia", afirmou.

Márcio ainda disse que, mesmo após o fim da parceria profissional - eles eram sócios em um escritório de advocacia - e do relacionamento, Mizael continuava passando em frente ao prédio da vítima. O acusado também ligava repetidamente para o celular de Mércia, o que fez com que ela trocasse o número do celular diversas vezes.

Durante o depoimento de Márcio, Mizael foi retirado do plenário a pedido do Ministério Público. De acordo com a acusação, a testemunha se sentia ameaçada pelo réu. A defesa contestou que, por ser advogado, Mizael faria sua autodefesa, porém o juiz Leandro Bittencourt Cano deu seu parecer favorável à Promotoria.