O ex-ministro da Secretaria dos Direitos Humanos do governo Luiz Inácio Lula da Silva, Paulo Vannuchi, afirmou nesta segunda-feira (11) que considera um "erro lamentável" a condução do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e defendeu sua saída do cargo.
"As coisas são reversíveis. É preciso insistir na linha das manifestações deste sábado e dialogar com o presidente da Câmara, para sensibilizar que é ruim esse ambiente", afirmou após participar de ato de adesão do ex-presidente a uma campanha da ONU pelo fim da violência contra mulheres.
O ex-ministro se referia ao protesto em diversas cidades contra a eleição de Feliciano que levou centenas às ruas.
Vannuchi defendeu uma "renegociação dos titulares de comissão" na Câmara. Para ele, Feliciano tem um "passivo de declarações problemáticas".
"É preciso ter muita prudência, porque qualquer fala dura pode inviabilizar as conversações para corrigir o problema."
Alvo de polêmica por declarações consideradas homofóbicas e racistas, Feliciano, que é pastor evangélico, foi eleito na semana passada presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara com 11 votos dos 18 possíveis. Com quórum de 12 votantes, apenas um deputado votou em branco.
Ele é acusado de intolerância racial e religiosa, além de homofobia, por movimentos sociais e tem sido alvo de críticas e protestos após ser eleito presidente de uma comissão que tem como uma de suas atribuições lidar com demandas de homossexuais, prostitutas, negros e outras minorias.
O pastor diz que a acusação de racismo é por conta de uma frase mal-interpretada. Diz ainda que não é homofóbico, mas afirma ser contra o ato sexual entre pessoas do mesmo sexo.