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Malavolta Jr. |
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Subtenente Sálvio Condé de Oliveira acaba de assumir o comando do TG de Bauru |
Ampliar ao máximo a participação dos jovens atiradores em campanhas e ações cívicas e sociais. Esse é o novo lema do Tiro de Guerra (TG) de Bauru, que recebe neste ano seu novo comando na cidade.
Com a transferência do chefe de instrução, sargento Velcides Tonello, a unidade será chefiada pelo próximos dois anos pelo subtenente Sálvio Condé de Oliveira, que já assumiu o cargo em janeiro, mas será empossado oficialmente no dia 22 de março, data em que também ocorre a formatura do primeiro grupo de atiradores de 2013.
Mineiro, Oliveira é nascido em Belo Horizonte, pai de família e sargento com 20 anos de experiência no Exército Brasileiro.
O patriotismo e a paixão pela farda camuflada, que antigamente era verde, começaram na adolescência, com a influência do irmão mais velho, na época soldado. Sálvio tinha apenas 17 anos quando decidiu seu futuro: passar em concurso para sargento e ingressar para as Forças Armadas do Brasil.
“Meu irmão pagou meu cursinho e acabei passando no concurso. Daí para frente a minha vida mudou completamente. Viajei e morei por diversos cantos do país para servir os batalhões”, lembra o subtenente.
No Rio de Janeiro, casou-se e teve suas duas filhas, hoje com 19 e 16 anos. Família que o acompanhou pelas mudanças para o Amazonas, Mato Grosso do Sul, Ceará, Paraná e, por fim, São Paulo.
Em Crato-CE, região de seca do Nordeste, onde morou apenas três anos, compartilha um dos maiores aprendizados de sua vida.
“Éramos responsáveis pela Operação Pipa. Andávamos milhares de quilômetros para distribuir água para a população. Lá vivi uma das histórias mais tristes. Eram apenas 5 mil litros de água para uma fila com dezenas de famílias e crianças com sede. Cada família podia levar apenas 20 litros por dia. Caso contrário, os últimos da fila ficariam sem água”, conta o subtenente do Exército.
Da seca ao solidário
Foi do encontro com a vivência e a observação das políticas falhas e da carência de ações sociais pelo país que o novo chefe de instrução do Tiro de Guerra decidiu que deverá ampliar ainda mais as relações da unidade militar com a comunidade de Bauru.
“O Tiro já participa de diversas campanhas como a de recolha e distribuição de agasalhos, doação de sangue, projeto de limpeza e de aniversário da cidade, mas precisamos ampliar ainda mais as ações solidárias em áreas diversas voltadas à comunidade”, projeta o subtenente Sálvio.
Contudo, para que as ações de grupos ou entidades da cidade sejam acolhidas pelo Tiro, é preciso uma solicitação formal.
“O ideal é que esses grupos nos procurem. Nossas portas ficam abertas das 8h até as 16h. É feita uma avaliação e selecionamos as ações que irão atingir o maior número de pessoas possível. É importante que a população saiba o que acontece no quartel”, afirma o novo chefe de sessão do Tiro de Guerra, contando sobre a época em que o militarismo não permitia uma convivência maior das unidades militares com a sociedade.
“Nossa intenção hoje é formar não só atiradores, mas seres humanos”, reforça o subtenente Sálvio.
Desafio
Outra missão apontada pelo novo chefe do Tiro de Guerra de Bauru como desafio é tentar aumentar o interesse dos jovens pelo curso.
“Ao longo dos anos observamos uma queda do interesse do jovem pelo Tiro. Dos 100 selecionados, uma média de 50% dos rapazes frequentam apenas por causa da obrigatoriedade. Antigamente, não existiam tantas opções e o Tiro era uma prioridade, tanto que o número de vagas também era maior”, comenta o subtenente.
No Tiro de Guerra de Bauru, os jovens recebem desde instruções de ética e convivência até aulas de tiro e sobrevivência em acampamentos.
“Prezamos muito a igualdade, a cooperação, o respeito e a ordem entre todos. Se um jovem não fizer a barba direito, todos acabam punidos. Somos rigorosos com essas tarefas, mas procuramos sempre ouvi-los”, exemplifica o subtenente.
Tiro de Guerra
O Tiro de Guerra é mantido pelo Exército Brasileiro em parceira com as prefeituras, que auxiliam as instalações com recursos materiais.
Além de Bauru, apenas 73 cidades, das 645 existentes no Estado de São Paulo, possuem Tiro de Guerra.
Em cidades de médio porte onde o Exército possui batalhão, o recrutamento é feito pela Circunscrição do Serviço Militar (CSM), que realiza os treinamentos dos jovens selecionados.