A Polícia Civil tenta montar as peças e descobrir a origem dos quase R$ 288 mil que foram encontrados na Quinta da Bela Olinda, em Bauru. As investigações, que seguem pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), não descartam que o montante seja do crime organizado e cogita até a possibilidade de que seja produto dos assaltos recentes a caixas eletrônicos na região.
O dinheiro foi encontrado na noite de anteontem, conforme o JC trouxe com exclusividade. Após uma denúncia anônima, a Polícia Militar (PM) foi até a residência localizada na quadra 2 da rua Bertholdo do Carmo. No momento em que os policiais chegaram, Rony dos Anjos Soares, 35 anos, saía com seu veículo, um Honda Civic, com placas de São Paulo.
Já no automóvel, encontraram uma sacola no assoalho com cerca de R$ 100 mil em dinheiro. Com a permissão do proprietário, entraram no imóvel e, conforme apontava a denúncia, quebraram com um martelo dois pontos ocos sob o piso. Em um deles, encontraram um galão com o restante do dinheiro, um revólver calibre 38 sem registro e seis cartuchos intactos.
Ainda na casa, foram encontradas folhas de cheque, nove celulares e dois pen drives. Ao todo, havia quase R$ 283 mil em dinheiro e dois cheques, cujo valor somado chegava a R$ 5 mil. O montante foi apreendido e depositado em uma conta judicial.
Conforme o boletim de ocorrência (BO) do caso, Rony Soares teria dito que tanto o dinheiro localizado no carro quanto na casa era proveniente de vendas de sua loja de materiais de construção. Ele, contudo, não tinha nenhum documento que comprovasse a alegação.
Pela Lei Federal 12.683, de 2012, que alterou recentemente a normatização para lavagem de dinheiro, o ônus da prova é do acusado, ou seja, é ele quem precisa comprovar a origem do montante. Por isso, foi preso por lavagem de dinheiro e porte ilegal de arma.
O caso foi encaminhado para a Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), justamente pelo passado de Rony Soares. Ele tem uma condenação de 14 anos por tráfico em 2005 e também por porte de arma.
“Ele foi preso pelo Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) na Capital e, depois de ter cumprido sua pena, estava vivendo em Bauru. Por isso, o caso foi encaminhado para a Dise”, aponta o delegado assistente da unidade especializada, Luiz Augusto Puccinelli.
Crime organizado
Apesar do mistério, a Polícia Civil já trabalha com algumas linhas de investigação. Segundo o delegado Kleber Granja, que responde atualmente pela Dise, há até a possibilidade de que o dinheiro seja proveniente da onda de assaltos a caixas eletrônicos que assolou a região.
“Não podemos descartar qualquer hipótese. Iremos verificar a sequência dessas cédulas e acionar as instituições roubadas recentemente para tentar encontrar alguma ligação”, revela o delegado.
Caso comprovada essa ligação, os indícios já existentes de que o dinheiro pertence ao crime organizado ganham ainda mais força.
Histórico
No dia 1º de dezembro do ano passado, a PM localizou outros R$ 280 mil em uma casa humilde no Pousada da Esperança 1. Na ocasião, Caio Renan da Silva Santos, 18 anos, foi preso em flagrante por estar com o montante associado pela polícia ao tráfico de drogas. As investigações continuam por ocultação da natureza ou origem de valor proveniente direta ou indiretamente de infração penal.
Descapitalização
Em um intervalo de três meses, é a segunda grande apreensão de dinheiro que a polícia realiza. Caso comprovado que o montante localizado anteontem seja proveniente do crime organizado, representa um grande golpe à capitalização dos bandidos. O fato, contudo, tem um efeito que já deixa a polícia em alerta. “Em casos assim, ocorre a capitalização. Ou seja, eles precisam recuperar essa quantia e começam a cometer mais roubos. Mas é assim que trabalhamos. Esses golpes no crime são muito importantes para desarticulá-los”, destaca Kleber Granja.