08 de julho de 2026
Internacional

Brasil se contenta com latino-americano

Por Asher Levine e Caroline Stauffer | Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

Com a expectativa de ter um papa brasileiro frustrada ontem, após a escolha do argentino Jorge Mario Bergoglio que será o papa Francisco, católicos brasileiros tiveram como prêmio de consolação a chegada do primeiro pontífice latino-americano da história da Igreja Católica.

O cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, era apontado como um dos favoritos para suceder Bento XVI, que renunciou ao papado no mês passado.


“A Igreja meio que quebrou um tabu ao escolher um latino. Estamos enfrentando uma série de desafios agora e eu rezo para que o papa ajude a trazer nossos jovens de volta à Igreja”, disse Deise Cristina, 43 anos, que vai à missa toda semana, na catedral da Sé, centro de São Paulo.

A católica devota Sandra Aparecida Silva,  38 anos, que vai à missa todos os dias, elogiou a escolha e avaliou que talvez ainda não fosse o momento de um brasileiro chegar ao Trono de Pedro.

“Acho que é muito positivo para a Igreja, porque o novo papa é humilde, próximo às pessoas. Não estou certa se dom Odilo seria a pessoa certa para o que a Igreja precisa agora”, disse.

“O fato de ser um latino-americano mostra que a Igreja está se descentralizando. Isso é bom, e o fato de ele não estar entre os favoritos mostra que foi verdadeiramente uma escolha de Deus.”

A movimentação na região da mais importante igreja da maior cidade do Brasil, o maior país católico do mundo, era calma, mostrando que a escolha do novo sumo pontífice não mobilizava a comunidade católica paulistana.

“Gosto do fato de ele ser latino-americano, significa que estamos sendo vistos. Mas não me identifico como católica mais. A Igreja não reflete a minha vida”, disse a estudante Amanda Morais,  23 anos, que estava com o namorado “passeando” em frente à catedral.

Nem mesmo a rivalidade entre brasileiros e argentinos impediu que fiéis no Brasil celebrassem a escolha de uma pessoa do país vizinho como pontífice.

“Futebol é uma coisa, e o papa é outra”, disse o guardador de carros Júlio Pereira, em Brasília. “Acho que ele (Francisco) trará uma série de coisas boas.”

Na sede da Igreja Universal do Reino de Deus, a mais conhecida entidade evangélica do Brasil, na zona sul de São Paulo, a escolha do novo chefe da Igreja Católica também era assunto.

“Eu esperava que fosse um brasileiro. Mas talvez um argentino, um latino-americano, possa fazer as mudanças certas e eu penso em voltar. Minhas raízes são naquela Igreja (católica)”, disse Nair de Oliveres Souza,  54 anos.